Como ensinar respeito e empatia aos nossos filhos? - feat não crie um bully babaca!!!
Esse post é um APELO, para todos nós (vou me incluir aqui, porque Joana é um pouco bully e preciso continuar combatendo esse tipo de comportamento nela)!
Arthur entrou na escola com 1 ano e 8 meses... passados alguns meses do início das aulas, a sala dele tinha pouquíssimas crianças, se não me engano 6 crianças, ía tudo tranquilo, até que entrou um menino, mais novo e bem menor que o Arthur, mas que batia em todas as crianças, principalmente no Arthur!
Ele começou a chegar com marcas, a professora me contava, chegou a chamar os pais dos meninos, aparentemente naquele tempo eles estavam se separando, e eu tentei relevar. Mas o bullying permaneceu até quase o ano terminar... No ano seguinte eu mudei o Arthur para o outro turno, o menino ficou no turno da tarde, senti um misto de alegria e esperança que meu filho não apanharia mais na escola. Ledo engano... dessa vez um menino maior que todos na turma, contudo mais imaturo que as outras crianças, apresentava o mesmo comportamento. Dessa vez ele não só batia, como falava coisas para as outras crianças, incomodava mesmo, puxava a roupa. Desde então, eu passei a adotar a postura de sempre perguntar ao Arthur se alguém tinha tratado ele mal, ou batido nele na escola. Todos os dias, até hoje eu faço isso! Ele ainda permaneceu na mesma sala desse menino por 2 anos... o comportamento do menino oscilava, ficava bem durante meses, depois voltava tudo de novo, só que sempre quem mais penava era o Arthur.
A Joana nasceu, e logo ela começou a bater no irmão. De início achei que ela estava tentando chamar nossa atenção, até hoje eu repito o mantra "não batemos em quem nós amamos", então eu explicava, que aquele comportamento não era aceitável, explicava as consequências, que o irmão estava chorando por ela ter machucado ele, e que por isso ela deveria ser responsável pela "melhora" do machucado do irmão. Ensinei que ela deveria colocar a bolsa de gelo, perguntar se ele precisava de água, etc.
Depois de um tempo, ela também foi crescendo, e essa relação entre ela e o irmão foi melhorando. Mesmo assim, Arthur permanecia adotando um comportamento passivo diante de abusos e violências, e isso me preocupava demais, ficava pensando se era culpa da criação, se eu era opressora demais. James e eu começamos a conversar com o Arthur e explicar posturas que ele deveria adotar, principalmente por serem muito crianças:
1- Ele precisava vocalizar para a criança que estava praticando o bullying, que ele não estava gostando daquilo. Ensinamos que ele tinha que dizer aquilo, e falar alto "PARE!", mostrando a mãozinha. - Isso porque muitas vezes, a criança acha que o que ela está fazendo é uma brincadeira, logo é necessário que ela entenda que o coleguinha não gosta daquilo, ou que o que ela está fazendo machuca a outra criança.
2- Ele precisava pedir ajuda: sim, se bullying continuasse, ele deveria chamar a professora imediatamente! OU qualquer adulto que ele confiasse.
3- Permitimos que ele usasse de violência para se defender. Essa foi a parte mais difícil de todas. Arthur não compreendia porque ele tinha que bater de volta (às vezes), expliquei que ele podia somente empurrar a outra criança com força para permitir que ele saísse do local e conseguisse chegar na professora, mas que se o empurrão não desse certo, talvez ele tivesse que devolver o chute ou tapa.
Ele passou a usar todas essas táticas, mas realmente mesmo assim, nunca bateu em ninguém!
Essa semana ele iniciou numa escola nova, primeiro dia e eu perguntei de todas as formas possíveis se alguém tinha batido, tratado mal, feito algo que ele não gostava, etc. A resposta foi não.
Segundo dia, perguntei no carro e a resposta foi : "Só um menino, com roupa de patrulha canina me mordeu, me bateu, me levantou e me jogou, quando eu estava descansando na cadeira da minha sala. mas o pior foi chegar em casa e encontrar ele com hematoma no corpo!
Sério gente, fiquei pensando, o que leva uma criança a ser tão violenta?! E por que sempre tem que ser o meu filho o alvo do bullying?!
Claro que fui ler alguns trabalhos sobre o assunto, pesquisei sobre Empatia e bullying na fase "toddler".
Primeiro é importante definirmos o que é empatia. Segundo Decety e Cowell (2014), "empatia" é um termo genérico para três processos distintos:
O Compartilhamento emocional (também chamado de "contágio emocional"), que ocorre quando experimentamos sentimentos de angústia como resultado da observação de angústia em outro indivíduo; a Preocupação empática, que é a motivação para cuidar de indivíduos vulneráveis ou angustiados, e a Tomada de perspectiva, a "capacidade de conscientemente se colocar na mente de outro indivíduo e imaginar o que essa pessoa está pensando ou sentindo".
Normalmente, crianças "nascem" com bastante de compartilhamento emocional, mas pouco das outras duas habilidades, que vão melhorando (ou piorando) de acordo com a convivência em sociedade e com a ajuda dos cuidadores em casa.
Para criarmos pessoas empáticas, a literatura extensivamente mostra que DEVEMOS primeiro ensiná-las sobre sentimentos, ensiná-las a nomear como estão se sentindo em diversas situações, chamar atenção para situações fictícias em filmes, desenhos, para que reconheçam esses sentimentos em personagens diferentes deles mesmos. Não reprimam os sentimentos dos seus filhos, não os digam se determinada situação pode ou não ser encarada com choro e gritaria, somente acolha, diga que entende, procure ser o porto seguro dessa criança!
Uma das melhores maneiras de incentivar a empatia é conscientizar as crianças do que elas têm em comum com outras pessoas. Aqui vale lembrar que crianças aprendem mais pelo EXEMPLO, do que com palavras. Pesquisas indicam que um dos maiores preditores de preconceito racial - e uma falha em simpatizar com membros de outros grupos - é ter pouco ou nenhum contato com pessoas diferentes das pessoas que a circundam.
Outro fator importante é estimular a preocupação empática. A capacidade de adotar a perspectiva de outra pessoa e imaginar quais ações podem fazer com que ela se sinta melhor é um processo mais cerebral, portanto menos estressante, quando se tratar de situações angustiantes. Também leva a julgamentos mais precisos.
Falemos sobre as consequências de nossas ações, o quanto elas podem afetar os sentimentos do outro.
Por favor, por favor, vamos tentar fazer isso? Pelo bem da população mundial?
Vamos criaar seres humanos, que mais do que entenderem o que é o certo e o errado, entendam o que incomoda os outros, o que machuca, entendam sobre consentimento, que não é só o seu próprio prazer e felicidade que interessa!
Vamos espalhar essa corrente de empatia por aí?
Conto com a ajuda de vocês!
Arthur entrou na escola com 1 ano e 8 meses... passados alguns meses do início das aulas, a sala dele tinha pouquíssimas crianças, se não me engano 6 crianças, ía tudo tranquilo, até que entrou um menino, mais novo e bem menor que o Arthur, mas que batia em todas as crianças, principalmente no Arthur!
Ele começou a chegar com marcas, a professora me contava, chegou a chamar os pais dos meninos, aparentemente naquele tempo eles estavam se separando, e eu tentei relevar. Mas o bullying permaneceu até quase o ano terminar... No ano seguinte eu mudei o Arthur para o outro turno, o menino ficou no turno da tarde, senti um misto de alegria e esperança que meu filho não apanharia mais na escola. Ledo engano... dessa vez um menino maior que todos na turma, contudo mais imaturo que as outras crianças, apresentava o mesmo comportamento. Dessa vez ele não só batia, como falava coisas para as outras crianças, incomodava mesmo, puxava a roupa. Desde então, eu passei a adotar a postura de sempre perguntar ao Arthur se alguém tinha tratado ele mal, ou batido nele na escola. Todos os dias, até hoje eu faço isso! Ele ainda permaneceu na mesma sala desse menino por 2 anos... o comportamento do menino oscilava, ficava bem durante meses, depois voltava tudo de novo, só que sempre quem mais penava era o Arthur.
A Joana nasceu, e logo ela começou a bater no irmão. De início achei que ela estava tentando chamar nossa atenção, até hoje eu repito o mantra "não batemos em quem nós amamos", então eu explicava, que aquele comportamento não era aceitável, explicava as consequências, que o irmão estava chorando por ela ter machucado ele, e que por isso ela deveria ser responsável pela "melhora" do machucado do irmão. Ensinei que ela deveria colocar a bolsa de gelo, perguntar se ele precisava de água, etc.
Depois de um tempo, ela também foi crescendo, e essa relação entre ela e o irmão foi melhorando. Mesmo assim, Arthur permanecia adotando um comportamento passivo diante de abusos e violências, e isso me preocupava demais, ficava pensando se era culpa da criação, se eu era opressora demais. James e eu começamos a conversar com o Arthur e explicar posturas que ele deveria adotar, principalmente por serem muito crianças:
1- Ele precisava vocalizar para a criança que estava praticando o bullying, que ele não estava gostando daquilo. Ensinamos que ele tinha que dizer aquilo, e falar alto "PARE!", mostrando a mãozinha. - Isso porque muitas vezes, a criança acha que o que ela está fazendo é uma brincadeira, logo é necessário que ela entenda que o coleguinha não gosta daquilo, ou que o que ela está fazendo machuca a outra criança.
2- Ele precisava pedir ajuda: sim, se bullying continuasse, ele deveria chamar a professora imediatamente! OU qualquer adulto que ele confiasse.
3- Permitimos que ele usasse de violência para se defender. Essa foi a parte mais difícil de todas. Arthur não compreendia porque ele tinha que bater de volta (às vezes), expliquei que ele podia somente empurrar a outra criança com força para permitir que ele saísse do local e conseguisse chegar na professora, mas que se o empurrão não desse certo, talvez ele tivesse que devolver o chute ou tapa.
Ele passou a usar todas essas táticas, mas realmente mesmo assim, nunca bateu em ninguém!
Essa semana ele iniciou numa escola nova, primeiro dia e eu perguntei de todas as formas possíveis se alguém tinha batido, tratado mal, feito algo que ele não gostava, etc. A resposta foi não.
Segundo dia, perguntei no carro e a resposta foi : "Só um menino, com roupa de patrulha canina me mordeu, me bateu, me levantou e me jogou, quando eu estava descansando na cadeira da minha sala. mas o pior foi chegar em casa e encontrar ele com hematoma no corpo!
Sério gente, fiquei pensando, o que leva uma criança a ser tão violenta?! E por que sempre tem que ser o meu filho o alvo do bullying?!
Claro que fui ler alguns trabalhos sobre o assunto, pesquisei sobre Empatia e bullying na fase "toddler".
Primeiro é importante definirmos o que é empatia. Segundo Decety e Cowell (2014), "empatia" é um termo genérico para três processos distintos:
O Compartilhamento emocional (também chamado de "contágio emocional"), que ocorre quando experimentamos sentimentos de angústia como resultado da observação de angústia em outro indivíduo; a Preocupação empática, que é a motivação para cuidar de indivíduos vulneráveis ou angustiados, e a Tomada de perspectiva, a "capacidade de conscientemente se colocar na mente de outro indivíduo e imaginar o que essa pessoa está pensando ou sentindo".
Normalmente, crianças "nascem" com bastante de compartilhamento emocional, mas pouco das outras duas habilidades, que vão melhorando (ou piorando) de acordo com a convivência em sociedade e com a ajuda dos cuidadores em casa.
Para criarmos pessoas empáticas, a literatura extensivamente mostra que DEVEMOS primeiro ensiná-las sobre sentimentos, ensiná-las a nomear como estão se sentindo em diversas situações, chamar atenção para situações fictícias em filmes, desenhos, para que reconheçam esses sentimentos em personagens diferentes deles mesmos. Não reprimam os sentimentos dos seus filhos, não os digam se determinada situação pode ou não ser encarada com choro e gritaria, somente acolha, diga que entende, procure ser o porto seguro dessa criança!
Uma das melhores maneiras de incentivar a empatia é conscientizar as crianças do que elas têm em comum com outras pessoas. Aqui vale lembrar que crianças aprendem mais pelo EXEMPLO, do que com palavras. Pesquisas indicam que um dos maiores preditores de preconceito racial - e uma falha em simpatizar com membros de outros grupos - é ter pouco ou nenhum contato com pessoas diferentes das pessoas que a circundam.
Outro fator importante é estimular a preocupação empática. A capacidade de adotar a perspectiva de outra pessoa e imaginar quais ações podem fazer com que ela se sinta melhor é um processo mais cerebral, portanto menos estressante, quando se tratar de situações angustiantes. Também leva a julgamentos mais precisos.
Falemos sobre as consequências de nossas ações, o quanto elas podem afetar os sentimentos do outro.
Por favor, por favor, vamos tentar fazer isso? Pelo bem da população mundial?
Vamos criaar seres humanos, que mais do que entenderem o que é o certo e o errado, entendam o que incomoda os outros, o que machuca, entendam sobre consentimento, que não é só o seu próprio prazer e felicidade que interessa!
Vamos espalhar essa corrente de empatia por aí?
Conto com a ajuda de vocês!
Precisava ler esse post hj! Muito obrigada!!
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