Existe vida após o segundo filho?

Desde que esse ano começou, fiquei com esse título ressoando na minha cabeça... Honestamente, eu ainda não sei se existe vida após o segundo filho, porque ainda sinto que vamos sobrevivendo a cada dia.
O resultado disso foi justamente o completo abandono deste blog, após o nascimento da Joana. Então se prepare para a primeira lição da maternidade com mais de um filho:

1- Não seja a pessoa que diz, que o segundo filho vai ser mais fácil!
 Gente, vou usar um palavreado bem chulo, pra deixar bem claro como eu me sinto, quando alguém diz isso - "PARECE QUE ENFIOU O DEDO NO MEU CU E RODOU!". O segundo filho não é mais fácil, sabem por quê? Porque por mais experiência que você tenha com o primeiro filho, você nunca foi mãe de duas crianças AO MESMO TEMPO.
Quando um ficar doente, você fica "ok", mas quando os dois ficam doentes você pira. A diferença é que você só sabe quando manter em casa, e não leva mais correndo na emergência por um nariz escorrendo. No geral, você terá duas crianças demandando atenção 24h (SIM, 24H) POR DIA, e administrar isso é muito difícil! Imaginem  vocês, num carro, sentadas entre duas cadeirinhas, e de repente, os dois começam a chorar e gritar porque querem algo que não podem ter? Isso é mais fácil?

2 - Não gerem expectativas no primeiro filho, que não irão se concretizar (pelo menos, não num futuro próximo).
Quando você engravida dosegundo filho, seladamente alguém vai fazer questão de dizer para o primeiro que ele vai ganhar alguém para brincar. Quem é que brinca com um recém-nascido, gente? QUEM?
 Aqui no Norte as pessoas ainda tem uma TERRÍVEL mania de dizer pro primogênito que ele ficará de lado, uma crueldade sem fim, na minha opinião.
Assim que eu soube da minha gravidez, eu deixei bem claro, que não iria permitir que ninguém falasse com o Arthur sobre "como seria" após o bebê nascer, porque ninguém ali tinha o curso de PAJELANÇA aprovado pelo MEC. Minha família de pronto respeitou, e acho que isso foi muito importante, para a compreensão do Arthur com a chegada da Joana. James e eu sentávamos vez ou outra durante a gravidez (lembrando que o Arthur tinha menos de 2 anos, na época) e explicávamos, que o bebê nasceria, e não saberia falar, por isso iria chorar muito, não teria dentes, e por isso precisaria mamar no peito da mamãe, e seria muito frágil e indefeso, por isso ele teria que tomar um certo cuidado ao estar perto... Vez ou outra repetíamos, essas informações (porque eles aprendem pela repetição)... ele perguntava algumas coisas, a gente repondia o que tinha certeza, e quando não sabíamos, dizíamos simplesmente que tínhamos que esperar pra saber só quando nascesse.

3 -  Vivam o luto de não ser mais mães de um, e respeitem o luto do primogênito também.
Vai chover de gente, pra falar que "benção" e blá blá blá, mas olha, mesmo que você queira MUITO (assim como eu queria) um segundo filho, você entrará em estado de choque ao saber. Porque vão cair várias fichas ao longo da gravidez, a primeira de que você não terá mais tanto tempo disponível para o primeiro, eu uma vez confessei no facebook, que depois me senti como se tivesse traído o amor do Arthur, engravidando de outro bebê. Eu carreguei essa culpa por muito tempo, me consumiu tanto que acabei não curtindo a segunda gravidez da mesma forma que a primeira. Esse foi o motivo de eu querer um parto em casa, pois queria que o Arthur acompanhasse toda a evolução e presenciasse o nascimento da irmã. Mas infelizmente, acabamos indo pro hospital, e quando, 3 dias depois nos reencontramos, ele ficou bastante magoado de me ver com um novo bebê nos braços. E daí, vou ser muito sincera, hoje em dia, desconfio que talvez se não tivesse irmã, teríamos passado pelo famoso "terrible two" ilesos, mas a chegada da Joana transformou o Arthur. Ele fazia de tudo pra chamar atenção, mesmo que o TUDO significasse o ERRADO, e obviamente, eu não tinha a mesma paciência, pois estava sempre com sono, amamentando, e ele fazia o pai e a avó irem ao limite com as coisas que aprontava, no final sempre pra que eu pudesse intervir, e aí naquele momento ele receber a atenção que queria...
Por diversas me vi aos berros com ele, ou chorando porque achava que não iria dar conta. Inclusive, hoje tenho certeza que tive uma depressão pós-parto, pois em um determinado momento senti até uma rejeição pela Joana e aí vem minha 4 lição...

4 - o primeiro ano é o mais difícil...
Acho que pra toda a maternidade, né? Mães de 1, 2, 3... o primeiro ano, foi muito, muito foda pra mim... lidar com dois bebês em casa, vivendo duas fases diferentes, foi difícil demais! Arthur regrediu em vários aspectos, o desfralde foi adiado, a vida de casal que estava começando a ser retomada, voltou pra estaca zero... os desgastes vão se acumulando. Porque na primeira maternidade, quando o filho dorme, na maioria das vezes a gente as vezes consegue dar uma descansada (se você tem o provilégio de ter uma rede de apoio), com dois filhos, isso não acontece JAMAIS. O primeiro filho dorme, e você corre pra brincar com o segundo, pra dar atenção, pra chamegar... tudo é muito mais intenso e mais corrido. James e eu fizemos um mega esforço, de estar sempre passeando com o Arthur, incluindo ele nas atividades da Joana (dar banho, trocar fraldas, etc), então estávamos sempre exaustos (bom, isso até hoje). A partir do momento que a Joana começou a falar, ela e o irmão foram começando a se conectar de fato, e quando ela começou a andar, isso sim, deu um upgrade na relação deles, mas não se engane... essa foi a minha lição número 5.

5 - Não importa a diferença de idade, o ciúme e a disputa serão uma constante.



Eu sempre digo pra todos que me perguntam: "Aqui em casa são 5 min de AMOR GENUÍNO, e 30 min de PORRADA, mesmo valendo, de tapas a mordidas!" - Arthur e Joana são amigos, e se amam, inegavelmente! Eles já dizem isso um pro outro, são unidos, se defendem... mas das 24h do dia pelo menos 10h são de: "mãe, a Joana me bateu!", "mãe, a Joana me mordeu!", "Mãããããããããe, a Joana destruiu a ponte que eu fiz pros meus carrinhos!", "Mãe, o Atú empurrô eu", "Mãe, Atú não deixa eu bincá" ... além da gritaria, e chororô...
Tupo que um receber, o outro quer ganhar tb,  (AVISO pra vc que vai visitar um casal que teve o segundo filho, LEVE PRESENTE PROS DOIS SIIIIIMMMM, cumprimente PRIMEIRO o primogênito SIM), se vai dar colo pra um, instantaneamente o outro vai pular e querer também.
Mas, porém, contudo, todavia, as vezes é importante ressaltar pro primeiro filho, que por ele ser mais velho, ele PODE fazer coisas, que a criança mais nova não pode, PORQUE ACREDITE, quando vc tiver fazendo aquelas brincadeiras de jogar o mais novo pra cima, o mais velho vai pedir pra vc fazer com ele também, e lá vai a tua coluna junto com os 16kg que tu vais levantar, jogar pra cima, e aparar... então, vez ou outra, vão num play, que tem um brinquedo que SÒ ele consegue ir pela altura ou idade, e ressaltem isso pra ele. Nessas horas de quebrar a coluna, fará uma grande dirença usar esse argumento...

No geral, acho que depois de 1 ano e meio, as relações entre os dois estarão bem estabelecidas, mas é bom não criar muita expectativa, porque devemos lembrar que cada um é um "serumaninho" diferente, com personalidade, e isso deve ser respeitado. Evitem forçar a barra! E aí eu acho, que a vida começa a voltar pros eixos após o segundo ano, do segundo filho... dependendo da diferença de idade entre eles... e os pais conseguem respirar um pouco mais aliviados!

Que saudades de escrever por aqui!

Comentários

  1. É mana, és uma heroína! Desde já um ótimo dia das mães pra ti. Tua dedicação e amor vão criar dois seres humanos maravilhosos. A humanidade agradece.

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    1. Menina, hoje em dia, penso que todas as mulheres são... educar um ser humano é uma das tarefas mais difíceis da humanidade...

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  2. Esperando aquele momento em que vou dizer "passou rápido"...

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    1. hahahahahahhahaahhaha... né? Joana está há 1 mês de completar 2 anos, Arthur completa 4 anos agora em maio, e hoje, eles já conversam, brincam juntos, e permitem que a gente tenha (segundos?) minutos de paz. Mesmo assim, Joana, por ser a mais espoletinha, tá sempre aprontando... e nem sempre o Arthur está disposto a cagoetar ela, só quando o convém... heuheuheuehuehuehuhe

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