"Mulheres sabem parir e bebês sabem nascer". SERÁ?
Chegamos às 40 semanas de gravidez... e nem sinal de parto... E eu que já não concordava muito com a frase acima, agora passei a ODIÁ-LA!! Não sei quem foi que disse essa frase, se foi o ODENT, se foi a NAOLI, mas essa frase super difundida no meio "humanizado" do parto pra mim é cruel, e uma generalização, que como todas, é muito burra (com todo respeito a quem quer que tenha dito pela primeira vez).
Mas... vamos lá do começo, porque essa daqui será minha catarse, meu desabafo, e como sei que assim como estou hoje, muitas já passaram por isso, e outras passarão, espero que esse relato ajude essas mulheres também a repensar seus corpos, seus planos e entender que não temos domínio ou controle pleno de nada nesta vida...
Sou bióloga, então pensar em parto pra mim, sempre foi algo que me soou natural, é animalesco, quase todos os mamíferos, ou melhor mamíferas, entram em trabalhos de parto, por um processo puramente fisiológico. Pensando nesse sentido, da mulher, enquanto animal, sim, Mulheres de fato DEVERIAM saber parir, porque é algo independente de aprendizado, o corpo se prepara, desaba uma cascata hormonal, os órgãos envolvidos agem de acordo com o que os hormônios indicam e ... o bebê deveria sair...
Mas... nós somos animais "pensantes" (pelo menos é isso que dizem... rs!), e como sabemos, hormônios são afetados algumas vezes por nosso bem (ou mal) estar mental, e aí entra o contexto errado dessa frase, na minha opinião! Porque muitos defensores do parto humanizado, tentam mostrar que "o parto está entre as orelhas", que você não precisa se preocupar porque "mulheres sabem parir e bebês sabem nascer", e o que acontece com àquelas mulheres, que engravidam do primeiro filho, se preparam para um parto e acabam numa cesárea, engravidam do segundo e acabam numa cesárea novamente, essas mulheres carregam um peso sobre seus ombros, de que "COMO ASSIM COMIGO NÃO DEU CERTO?!" "Então não sou mulher suficiente? Porque, claramente meu corpo não sabe parir?"...
Quando engravidei do Arthur, por ser bióloga, era automático pensar que ele nasceria de parto normal. Contudo no Brasil, a realidade é outra, e eu descobri que parir era um ato político, um ato de rebeldia contra um sistema cesarista. E para vencer qualquer sistema, a gente faz o que? Como acadêmica, eu estudo! Vocês não tem idéia do quanto eu estudei... eu li, eu ía nas bases de dados de artigos de psicologia e médicos, pra ver os estudos mais recentes sobre parto, eu buscava saber o que dava certo em países desenvolvidos, e porque o Brasil seguia na contramão, eu procurava a medicina baseada em evidências científicas. Eu frequentei grupos de apoio ao parto humanizado como já falei em vários posts, eu contratei uma doula, eu fiz meu pré-natal particular, para poder contar com A obstetra mais humanizada da cidade ... e como vocês podem ter lido no meu Relato de não parto - parte I, parte II e parte III, acabamos numa cesárea por indicação real, contudo que nunca foi superada por mim, que defendo tanto os partos normais, naturais, humanizados.
Nessa segunda gravidez, eu confesso, que tentei não criar expectativas, algumas amigas me perguntavam se eu ía tentar normal e eu respondia que sim... mas confesso que não planejei nada, cogitei fazer o pré-natal pelo SUS, mas acabei optando por um obstetra de boas recomendações do meu próprio plano, conversei com enfermeiras obstetrícias, sobre um parto domiciliar, mas deixei mesmo a decisão lá pro finalzinho da gravidez... mais ou menos com umas 34 semanas, quando conversei com a minha amiga, que iria me doular e ela me fez entrar de cabeça no mundo dos partos novamente (quero deixar bem claro, que ela não é a vilã nessa história... hahahaha)...
Com 35 semanas, eu comecei a sentir os pródromos valendo, eu nunca tinha sentido isso na gravidez do Arthur, pensei que a minha filha nasceria prematura, na primeira vez que senti, foi "tão forte" (coloco entre aspas porque imagino que contrações verdadeiras devem ser muuuuuuito piores), que eu vomitei, sentia uma dor e uma contração tão forte que me impediam de respirar, ao mesmo tempo eu tinha a sensação que eu ía (me desculpem a expressão) ME CAGAR, sentava no vaso e ficava lá, e nada acontecia, meu marido então, falou para eu tomar um banho quente, escrevi para o meu obstetra, para as enfermeiras, e ambos aconselharam tomar um remédio para a dor. Mas, eu TAVA TÃO FELIZ, sentido aquilo tudo que não quis tomar não, pensei, "vou me entregar à essa experiência"... a dor ainda foi até de madrugada, ía e vinha, até que passou completamente... minha amiga doula, falou que provavelmente tinham sido os pródromos, e era só meu corpo treinando para o parto.
Tive pródromos por mais alguns dias... até que desapareceram completamente, me deixando uma chama de esperança de um trabalho de parto que viria muito em breve...
Com 37 semanas, acordei com uma gosma me incomodando na calcinha, fui pro banheiro, e logo pesquisei por "tampão mucoso", achei um foto muito parecida com o que eu estava vendo ao vivo, só pensava "CARÁI, velho daqui no máximo 2 semanas essa menina vai vir ao mundo", eu escrevia no grupo e minha rede de apoio toda vibrava, as meninas me contavam suas experiências, eu ficava super-empolgada... mas os pródromos sumiram... e a partir dessa semana, comecei a ter consultas semanais, 1x com meu obstetra e 1x com as enfermeiras...
Chegaram as 38 semanas, passei pelas 39 semanas, eu comecei a ficar mais em casa, pra limpar e organizar tudo, na esperança de que eu logo entraria em TP... e nada... cheguei às 40 semanas... tive mais um episódio de pródromos e pensei "É AGORA!" liguei pras enfermeiras, deixei todo mundo de sobre-aviso, mas passaram durante a madrugada... no outro dia de manhã a enfermeira veio e disse que ainda poderia demorar dias, porque a bebê ainda está alta... e desde então nada... nem sinal...
Minha amiga Doula, fez até um floral pra mim... minhas amigas tentam me apoiar, me mostrar que pelo menos nessa gravidez eu tive TODOS esses sinais, o que significa que vai acontecer... mas eu penso... que eu tô lá naquela galera das estatísticas fora da média, cujos filhos nascem depois do tempo. E o sistema é implacável com essas mulheres, meu obstetra e as enfermeiras já disseram que o limite é 41s e 3 dias... podem esperar mais que isso, podem... mas eu mesma sei que os riscos são maiores, que o ideal talvez seja uma indução... que dá um parto mais doloroso... e eu fico com aquela frustração dentro de mim...
E agora eu simplesmente acho que não... nem todas as mulheres sabem parir, os mecanismos são muito complexos, para se fazer uma generalização desse tipo, tanto não sabem, que eu fico perdida quando sinto uma dor... não sei se é diarréia, se é cólica, se são gases, se são pródromos, se são AS DORES... uma amiga disse "quando for tu vais saber", já me enganei 2x... esse aprendizado não está sendo fácil...
E sabe o que torna tudo mais difícil??? A pressão popular! Talvez eu tenha errado, divulgando sempre as semanas, em que me encontrava, porque tem gente que liga pra minha mãe perguntando "QUANDO VAI NASCER?!", tem gente que diz pra mim " QUE ESTÁ ANSIOSA pra ver essa neném"... sei que algumas não fazem por mal, e que a ansiedade é legítima, mas imaginem o que essas perguntas fazem com o psicológico da gente...
Sei também, que algumas pessoas perguntam por mal sim, porque estão doidas pra dizer, "vai ser cesárea de novo", porque fazem questão de me contar de bebês que QUASE morreram, ou morreram, porque a mãe irresponsável esperou demais...
De verdade... eu já não sei se vou conseguir parir... eu não sei qual será nosso desfecho, mas eu só sei que eu quero que acabe logo... a barriga tá pesada, o cansaço físico (barrigal e periquital, porque parece que tenho uma bigorna na periquita) e mental estão demais... e eu ainda tenho que dar conta de um filho de dois anos, que quer brincar de maratona (sim de correr valendo pela casa ou pela rua), de bola, que quer colo e atenção... e eu ainda tenho a preocupação de como ele vai reagir quando a neném estiver em casa (que também tem sido um puta peso mental pra mim)...
então... a partir de hoje, até o nascimento, e até que eu esteja preparada para falar do nascimento, esse assunto não sairá da minha boca...
Porque eu só quero um desfecho, e agora, na atual conjuntura, eu só quero me preparar para qualquer que seja ele...
Mas... vamos lá do começo, porque essa daqui será minha catarse, meu desabafo, e como sei que assim como estou hoje, muitas já passaram por isso, e outras passarão, espero que esse relato ajude essas mulheres também a repensar seus corpos, seus planos e entender que não temos domínio ou controle pleno de nada nesta vida...
Sou bióloga, então pensar em parto pra mim, sempre foi algo que me soou natural, é animalesco, quase todos os mamíferos, ou melhor mamíferas, entram em trabalhos de parto, por um processo puramente fisiológico. Pensando nesse sentido, da mulher, enquanto animal, sim, Mulheres de fato DEVERIAM saber parir, porque é algo independente de aprendizado, o corpo se prepara, desaba uma cascata hormonal, os órgãos envolvidos agem de acordo com o que os hormônios indicam e ... o bebê deveria sair...
Mas... nós somos animais "pensantes" (pelo menos é isso que dizem... rs!), e como sabemos, hormônios são afetados algumas vezes por nosso bem (ou mal) estar mental, e aí entra o contexto errado dessa frase, na minha opinião! Porque muitos defensores do parto humanizado, tentam mostrar que "o parto está entre as orelhas", que você não precisa se preocupar porque "mulheres sabem parir e bebês sabem nascer", e o que acontece com àquelas mulheres, que engravidam do primeiro filho, se preparam para um parto e acabam numa cesárea, engravidam do segundo e acabam numa cesárea novamente, essas mulheres carregam um peso sobre seus ombros, de que "COMO ASSIM COMIGO NÃO DEU CERTO?!" "Então não sou mulher suficiente? Porque, claramente meu corpo não sabe parir?"...
Quando engravidei do Arthur, por ser bióloga, era automático pensar que ele nasceria de parto normal. Contudo no Brasil, a realidade é outra, e eu descobri que parir era um ato político, um ato de rebeldia contra um sistema cesarista. E para vencer qualquer sistema, a gente faz o que? Como acadêmica, eu estudo! Vocês não tem idéia do quanto eu estudei... eu li, eu ía nas bases de dados de artigos de psicologia e médicos, pra ver os estudos mais recentes sobre parto, eu buscava saber o que dava certo em países desenvolvidos, e porque o Brasil seguia na contramão, eu procurava a medicina baseada em evidências científicas. Eu frequentei grupos de apoio ao parto humanizado como já falei em vários posts, eu contratei uma doula, eu fiz meu pré-natal particular, para poder contar com A obstetra mais humanizada da cidade ... e como vocês podem ter lido no meu Relato de não parto - parte I, parte II e parte III, acabamos numa cesárea por indicação real, contudo que nunca foi superada por mim, que defendo tanto os partos normais, naturais, humanizados.
Nessa segunda gravidez, eu confesso, que tentei não criar expectativas, algumas amigas me perguntavam se eu ía tentar normal e eu respondia que sim... mas confesso que não planejei nada, cogitei fazer o pré-natal pelo SUS, mas acabei optando por um obstetra de boas recomendações do meu próprio plano, conversei com enfermeiras obstetrícias, sobre um parto domiciliar, mas deixei mesmo a decisão lá pro finalzinho da gravidez... mais ou menos com umas 34 semanas, quando conversei com a minha amiga, que iria me doular e ela me fez entrar de cabeça no mundo dos partos novamente (quero deixar bem claro, que ela não é a vilã nessa história... hahahaha)...
Com 35 semanas, eu comecei a sentir os pródromos valendo, eu nunca tinha sentido isso na gravidez do Arthur, pensei que a minha filha nasceria prematura, na primeira vez que senti, foi "tão forte" (coloco entre aspas porque imagino que contrações verdadeiras devem ser muuuuuuito piores), que eu vomitei, sentia uma dor e uma contração tão forte que me impediam de respirar, ao mesmo tempo eu tinha a sensação que eu ía (me desculpem a expressão) ME CAGAR, sentava no vaso e ficava lá, e nada acontecia, meu marido então, falou para eu tomar um banho quente, escrevi para o meu obstetra, para as enfermeiras, e ambos aconselharam tomar um remédio para a dor. Mas, eu TAVA TÃO FELIZ, sentido aquilo tudo que não quis tomar não, pensei, "vou me entregar à essa experiência"... a dor ainda foi até de madrugada, ía e vinha, até que passou completamente... minha amiga doula, falou que provavelmente tinham sido os pródromos, e era só meu corpo treinando para o parto.
Tive pródromos por mais alguns dias... até que desapareceram completamente, me deixando uma chama de esperança de um trabalho de parto que viria muito em breve...
Com 37 semanas, acordei com uma gosma me incomodando na calcinha, fui pro banheiro, e logo pesquisei por "tampão mucoso", achei um foto muito parecida com o que eu estava vendo ao vivo, só pensava "CARÁI, velho daqui no máximo 2 semanas essa menina vai vir ao mundo", eu escrevia no grupo e minha rede de apoio toda vibrava, as meninas me contavam suas experiências, eu ficava super-empolgada... mas os pródromos sumiram... e a partir dessa semana, comecei a ter consultas semanais, 1x com meu obstetra e 1x com as enfermeiras...
Chegaram as 38 semanas, passei pelas 39 semanas, eu comecei a ficar mais em casa, pra limpar e organizar tudo, na esperança de que eu logo entraria em TP... e nada... cheguei às 40 semanas... tive mais um episódio de pródromos e pensei "É AGORA!" liguei pras enfermeiras, deixei todo mundo de sobre-aviso, mas passaram durante a madrugada... no outro dia de manhã a enfermeira veio e disse que ainda poderia demorar dias, porque a bebê ainda está alta... e desde então nada... nem sinal...
Minha amiga Doula, fez até um floral pra mim... minhas amigas tentam me apoiar, me mostrar que pelo menos nessa gravidez eu tive TODOS esses sinais, o que significa que vai acontecer... mas eu penso... que eu tô lá naquela galera das estatísticas fora da média, cujos filhos nascem depois do tempo. E o sistema é implacável com essas mulheres, meu obstetra e as enfermeiras já disseram que o limite é 41s e 3 dias... podem esperar mais que isso, podem... mas eu mesma sei que os riscos são maiores, que o ideal talvez seja uma indução... que dá um parto mais doloroso... e eu fico com aquela frustração dentro de mim...
E agora eu simplesmente acho que não... nem todas as mulheres sabem parir, os mecanismos são muito complexos, para se fazer uma generalização desse tipo, tanto não sabem, que eu fico perdida quando sinto uma dor... não sei se é diarréia, se é cólica, se são gases, se são pródromos, se são AS DORES... uma amiga disse "quando for tu vais saber", já me enganei 2x... esse aprendizado não está sendo fácil...
E sabe o que torna tudo mais difícil??? A pressão popular! Talvez eu tenha errado, divulgando sempre as semanas, em que me encontrava, porque tem gente que liga pra minha mãe perguntando "QUANDO VAI NASCER?!", tem gente que diz pra mim " QUE ESTÁ ANSIOSA pra ver essa neném"... sei que algumas não fazem por mal, e que a ansiedade é legítima, mas imaginem o que essas perguntas fazem com o psicológico da gente...
Sei também, que algumas pessoas perguntam por mal sim, porque estão doidas pra dizer, "vai ser cesárea de novo", porque fazem questão de me contar de bebês que QUASE morreram, ou morreram, porque a mãe irresponsável esperou demais...
De verdade... eu já não sei se vou conseguir parir... eu não sei qual será nosso desfecho, mas eu só sei que eu quero que acabe logo... a barriga tá pesada, o cansaço físico (barrigal e periquital, porque parece que tenho uma bigorna na periquita) e mental estão demais... e eu ainda tenho que dar conta de um filho de dois anos, que quer brincar de maratona (sim de correr valendo pela casa ou pela rua), de bola, que quer colo e atenção... e eu ainda tenho a preocupação de como ele vai reagir quando a neném estiver em casa (que também tem sido um puta peso mental pra mim)...
então... a partir de hoje, até o nascimento, e até que eu esteja preparada para falar do nascimento, esse assunto não sairá da minha boca...
Porque eu só quero um desfecho, e agora, na atual conjuntura, eu só quero me preparar para qualquer que seja ele...
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