Relato de desmame

Em dezembro do ano passado eu postei algumas tretas que rolaram quando me descobri grávida (link do post). A amamentação estava muito sofrida, e a cama compartilhada já não estava funcionando para a família.

Preciso dizer que assim que me descobri grávida e as dores ao amamentar surgiram, eu passei a refletir mais em como lidar com a amamentação, e li muito, muito a respeito. Bom, depois de pesados prós e contras de um desmame, eu resolvi seguir a primeira técnica "Não ofereça, não recuse", então eu não oferecia mais o peito, mas quando ele pedia eu também não recusava, e isso inclusive a noite e, principalmente, de madrugada. Após utilizar esta técnica, percebi que as mamadas eram demandadas por ele somente quando ele queria dormir, ou em períodos de estresse (caiu, machucou, estresse por ser contrariado, etc). A dor permanecia, e na verdade a cada mês, só aumentava, então como eu já sabia mais ou menos quando ele costumava pedir o peito, eu passei a utilizar mais duas técnicas combinadas: "Distração" e "Atraso" - Como assim?
A rotina do Arthur era: passar o dia na casa da minha mãe, enquanto trabalhávamos. Logo, durante o dia, se eu não estivesse presente, ele já não mamava mais. Então aos finais de semana, durante o período do dia além de não oferecer mais o peito, quando ele pedia eu tentava distraí-lo, inventava uma brincadeira, contava uma história,  o pai entrava em cena com algo "interessante", se isso não funcionasse, eu tentava a tática 2, o "atraso", que era dizer que quando ele fosse dormir, ou no caso de eu estar ocupada, que eu daria o peito após terminar o que eu estava fazendo. Quando eu terminava, ou quando chegava a hora da soneca, eu dava o peito, para que ele continuasse confiando em mim, já que teria sido um acordo entre nós.
 Depois de um tempo ele já não pedia mais com tanta frequência durante o dia, mas quando pedia, eu entendia que ali era uma necessidade real, e continuava sem negar o peito pra ele.

O problema é que conforma ía passando o tempo, as mamadas íam ficando espaçadas, mas muito mais dolorosas pra mim, além disso, eu já tinha lido que a produção diminui consideravelmente com a gravidez, praticamente seca mesmo, e por isso ele mamava com mais vigor...

Em dezembro, quando eu escrevi aquele post (link aqui), o Arthur já mamava somente antes de dormir, durante a madrugada (às vezes) e ao acordar. Eu andava exausta... e toda vez que eu pensava em ter que amamentar já dava vontade de chorar... mas a maternidade tem umas coisas que são impressionantes, e sempre quando estamos no limite de alguma coisa, parece que vem a vida e PÁ, o sofrimento acaba....
Quando eu comecei a fazer a transição pro berço do Arthur, ele parou de mamar de madrugada, ele acordava, eu ninava ele, e ele voltava a dormir, chegou um tempo que ele nem chorava, ele acordava, sentava no berço, me chamava, eu dava um abraço um beijo e ele voltava a dormir...
Então, em meados de dezembro, só tínhamos 2 mamadas, a antes de dormir e ao acordar... e aí vou dizer pra vocês... sem que eu negasse de fato o peito, o Arthur passou a mamar dia sim, dia não, a mamada ao acordar ele parou um dia e nunca mais pediu... e a antes de dormir foi ficando cada vez mais espaçada, até que ficamos por semanas sem mamar... e quando vi já tinha ido janeiro sem mamar... um dia ele pediu... já nem saía mais leite, e eu disse que não, porque só pensei na força que ele ía fazer pro leite descer e na dor que eu ía sentir. Ele não chorou, nem pediu de novo, só deitou ao meu lado. Senti culpa, depois eu expliquei pra ele que causava dor na mamãe e que não saía mais leite, ele pareceu entender.

e agora já estamos em fevereiro...
Ele lembra ainda do "pipi", dia desses ele apontou e falou "pipi", e eu mostrei o peito pra ele, ele fez carinho e deitou do meu lado antes de dormir... ficou lá passava a mão e depois esquecia e assim tem sido... ele não lembra do pipi com a intenção de mamar, pq ele não vai pra cima, ele só quer ver, acho que matar a saudade...

nossa rotina do sono além de música, história, agora tem muito mais chamego, pra ele ver que o amor não mudou, pelo contrário, só aumenta sempre...

Se por alguma razão, a amamentação não está mais dando certo pra vocês. A minha primeira sugestão é pesar prós e contras: esses tempos Arthur pegou umas viroses e não te se alimentado bem, e vou te dizer, o peito salva nesses momentos, fora o alívio do estresse do dia - dia deles, às vezes o Arthur tá demais irritado com tudo, e eu só penso que o peito seria ótimo ali naquele momento! Além dos inúmeros benefícios que a gente sabe que a amamentação prolongada tem tanto pra mãe quanto para o bebê.
A minha segunda sugestão é respeite o tempo do seu filho (a), não adianta querer forçar algo, isso só trás regressão, ou seja, eles vão demandar mais o peito, na insegurança de perdê-lo.
Se realmente não dá pra esperar um desmame natural, então tente de forma gradual, nunca abrupta! (Isso se for uma opção pra vocês)

E a terceira e última sugestão é seguir o seu coração, tentar entender porque essa vontade de desmamar, às vezes precisamos externalizar o problema, buscando compreender de fato a necessidade, e percebemos que nem sempre é a amamentação o problema em si, às vezes é o cansaço, o estresse do trabalho, o acúmulo de tarefas, a falta de apoio, enfim... mas se não houver solução, saiba, que muitas mulheres passam por esse dilema do desmame, não vai ser fácil, nem simples, mas siga o seu coração!

Todas as técnicas que citei eu li no post do GVA (grupo Virtual de Amamentação) Diga não ao desmame abrupto!
E li e vi algumas referências no blog do Coletivo Maternar no post Sobre o desmame


Então é isso gente... estamos desmamados e eu sinto uma saudade enorme, mas também me sinto feliz por ter sido sem choro e sem sofrimento pro Arthur.

Até o próximo post!

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