Os primeiros dias após o nascimento do Bebê - a amamentação
Como eu relatei no post passado, a apojadura do leite é um processo que às vezes pode gerar um problema, porque o nosso corpo ainda está se habituando a demanda do bebê, e muitas vezes isso acaba ingurgitando as nossas mamas dificultando um pouco a amamentação. Quem tiver interesse em se aprofundar no assunto seria bom dar uma lida aqui, não tem muitas imagens, mas tem uma linguagem simples e direta.
Além deste problema, eu enfrentei outros vários durante os primeiros meses de amamentação, então vamos por partes:
O primeiro problema relacionado à amamentação, é que a gente acha que é só plugar o bebê no peito e a "magia acontece", #SQN, bebês não nascem sabendo mamar (pelo menos a maioria), e a gente tem que ter em mente que o sucesso da amamentação depende muito do bebê sugar o seio de maneira correta, ato este conhecido como PEGA.
Obstetras, enfermeiras, nutricionistas, sempre me perguntavam quando eu me queixava de qualquer coisa relacionada à amamentação se "a pega estava correta?", e no início eu pensava "oi? Pega? que porra é essa"... então a PEGA nada mais é que a posição correta que o bebê deve abocanhar o seio, na hora de mamar, nesse vídeo (apesar de em inglês) dá pra ter uma ideia do que acontece quando a pega está errada e depois quando a pega é corrigida.
Existe muita desinformação a respeito da pega, e muitas informações deveriam ser repassadas durante o pré-natal. O ideal é que o bebê ao mamar fique com a chamada "boca de pato", bochechas estufadas, e os lábios superiores e inferiores virados pra fora, o que ajuda a fazer com que o nariz se aproxime do seio sem ficar completamente encostado nele, facilitando a respiração, e o mamilo tem que ser quase completamente abocanhado pelo bebê e não só o bico do seio.
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| Notem a dobrinha no lábio inferior e vejam que os lábios estão quase nas bordas de todo o meu mamilo. |
Então, como eu tive uma descida rápida do leite, meus seios viviam muito cheios, e o mamilo ficava endurecido, dificultando a pega, daí o Arthur acabava abocanhando somente o bico, e isso me machucou bastante, porque como pode ser visto no vídeo acima, o bico acabava tocando o palato duro e a fricção, causou fissura no meu mamilo, fato que me causava muita dor ao amamentar. Amigas minhas relatam que os mamilos sangraram. A dor, é como se mil agulhas estivessem sendo espetadas no meu bico no momento da amamentação, não só espetadas como enfiadas, porque a dor parece que vai aprofundando, e eu chorava muito (imaginem dor + baby blues do puerpério).
Além de fissura, eu tive o bloqueio dos ductos lactíferos. E esse é outro motivo de dor ao amamentar, quando se usa sutiã muito apertado, ou o bebê não consegue esvaziar o seio adequadamente, aquele leite sofre um espessamento dentro do ducto e forma muitas vezes bolinhas endurecidas, que só são desfeitas com o bebê mamando (não adianta usar bombinha), as vezes, forma uma bolinha na ponta do bico do seio branca, e acreditem é MUITO dolorosa quando o bebê mama, às vezes é necessário estourar ou romper esfregando uma toalha, mas o bebê consegue desfazer também ao mamar corretamente.
E além de todos esses problemas eu tive febre do leite 3x, quando o seio não é esvaziado pelo bebê, esse acúmulo, tende a dar febre, e é uma febre muito alta (chega a 39°C fácil), a gente sente calafrios, os seios ficam mais sensíveis ainda.
Apesar de tudo isso, eu não tive mastite, tive muito medo de ter uma, e sempre que um problema assim aparecia eu corria pro Banco de Leite Humano ou chamava uma consultora de amamentação em casa, em Belém conheço dois grupos que fazem esse serviço: o MAME e as Cegonhas Modernas, vale cada centavo! Eu chamei uma consultora em casa quando o Arthur ainda não tinha completado 1 mês de nascido, e eu ficava com medo de ficar levando ele pro ambiente hospitalar do Banco de Leite, naquela época eu chamei o Mame, e fui atendida pela Gilmara, que é nutricionista da Banco de Leite Humano e da Maternidade Saúde da Criança. Ela foi 21h na minha casa e só saiu depois que me explicou tudinho sobre a pega correta, e me fez perceber a diferença (ausência de dor) quando o bebê está com a pega correta. Ela ainda voltou em casa mais uma vez e me ajudou, em todas as outras vezes que eu fui no Banco de Leite.
Consultoras de amamentação são tipo doulas, você não é obrigado a contratar uma, mas se você contratar vai pensar que não tem como viver sem esse serviço!
Eu fui um caso a parte, e só consegui estabilizar minha amamentação com sucesso quando o Arthur já estava com mais de 3 meses, para a maioria das pessoas depois do primeiro mês, a produção do leite normaliza, e a maioria dos problemas se vão. A mãe e o bebê se entendem, o bebê aprende a mamar e aí sim, a gente consegue chegar quase perto dos comerciais de tv, onde rola aquela troca de olhares, aquele carinho e aquela sensação melhor do universo quando se está amamentando. Mas até isso acontecer, saiba que só de pensar em dar o peito pro meu filho eu já começava a chorar, apertava a mão do meu marido, mordia qualquer coisa que estivesse ao meu alcance e urrava de dor...
Algumas mães não conseguem transpor essas dificuldades iniciais, e normalmente isso acontece 1º pela falta de apoio, seja do marido, seja de parentes e amigos próximos; e 2º pela falta de informações;
Quando eu enfrentei essas dificuldades, eu recebi apoio, inclusive de estranhas, porque fui incluída num grupo de mães no face, que me mostrou que eu não estava só, que quase todas passaram por essas dificuldades, em maior ou menor nível, e uma delas inclusive, me apresentou ao GVA - Grupo virtual de amamentação, que é um grupo moderado, em que mulheres, mães, que conseguiram superar todos os problemas possíveis para amamentar e que inclusive tiveram que estudar muito, para vencer médicos desatualizados e conseguir amamentar seus filhos até os 2 anos ou mais, se uniram e ajudam outras mães a conseguir amamentar exclusivamente até os 6 meses, e seguir na amamentação prolongada. Um trabalho sério, muito lindo, do qual tive acesso muitas vezes, porque sempre que um problema aparecia eu escrevia lá e recebia além de ajuda, também muito apoio.
E aqui fica a minha dica para amamentar com sucesso:
1. Confiar no seu corpo
2. Ter apoio de família e amigos
3. Ter acesso a informação de qualidade
4. Em qualquer dificuldade procurar um banco de leite humano
5.Se nada der certo, e você puder, chame uma consultora em amamentação (este último é opcional)
Vou deixar alguns links, além do que eu indiquei no texto, que são de fácil leitura e tem informações relevantes:
http://www.redeblh.fiocruz.br/media/cartilhasmam.pdf
https://www.unicef.pt/docs/manual_aleitamento.pdf
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/saude_crianca_nutricao_aleitamento_alimentacao.pdf
Desejo muita força e sucesso, pra quem está começando a amamentar!
Beijos

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