O bebê nasceu e agora? Os primeiros dias pós-nascimento do bebê - a descida do leite

Eu frequentei as reuniões do Ishtar durante parte da minha gravidez, porque a outra parte estava fora do país (já relatei em alguns posts isso), infelizmente não tive acesso a reuniões que trabalharam o tema do puerpério e vou dizer que me fizeram falta... Tinha estudado tanto sobre parto, e esqueci do pós, vou dizer pra vocês... é dureza.

Como eu contei umas semanas atrás no meu relato de (NÃO) parto, não tive o meu parto sonhado, tive uma cesárea, fiquei 2 dias (somente) no hospital. Como fiz cirurgia, o primeiro dia eu passei praticamente todo anestesiada, e extasiada por conhecer o meu filhote, Arthur era um bebê tranquilo, e como eu não podia me mexer muito o James fez as primeiras trocas de fralda, e eu só tive que amamentar. No segundo dia, o efeito da anestesia já tinha passado e eu senti as dores pós-cesárea, por conta disso não consigo entender quando uma mulher diz que prefere cesárea pra não sentir dor, não faz sentido nenhum pra mim!! Sentia muitas dores, e ainda estava tomando analgésicos, durante o dia minha mãe ficou comigo no hospital e durante a noite era o James. Arthur seguia no mesmo ritmo, chorava pouco, só quando tinha fome ou precisava trocar a fralda...

Na noite do segundo dia, meus seios começaram a ficar maiores, beeeeemmm maiores, mais endurecidos e quentes, essa sensação foi piorando a ponto de ficar dolorosa, aí perguntei pra enfermeira o que estava acontecendo, e ela secamente me respondeu que era a "descida do leite" e que eu tinha que "esvaziar meu peito pra não empedrar"... OI??? - Eu não sabia como funcionava o mecanismo da descida do leite, sério, completa ignorante no assunto, não sabia que o leite demorava uns dias pra descer, não sabia como o corpo reage com a descida do leite, não sabia COMO esvaziar meu peito (não seria essa a função do bebê)... mas... eu lembrava que eu muito "entendida" (de porra nenhuma) comprei uma bomba elétrica de tirar leite... por sinal comprei uma cara da Avent, trouxe lá da Alemanha. Então, eu desesperada já, liguei pra minha mãe, pedi pra ela ir na minha casa, pegar a bomba e levar até a maternidade (detalhe: minha casa fica de um lado da cidade e a maternidade do outro lado), e assim ela fez.
Liguei a bomba e nada de sair leite... saía umas gotinhas de nada... e meus seios ENORMES, quentes e duros... só consegui dormir, porque o cansaço bateu valendo. No outro dia, amanheci com os seios deformados, pelo uso da bombinha, e eu recebi alta. Coincidentemente, quando estava fazendo as malas, entrou a nutricionista do Hospital e eu falei que estava com muitas dores, quando ela viu meus seios daquele jeito, me mandou correr no lactário do Hospital, porque eu não ía aguentar chegar em casa daquele jeito.
No lactário a enfermeira me ensinou a ordenhar, tentou tirar o máximo de leite possível pra dar uma aliviada nas minhas dores, avaliou a pega do Arthur, viu que estava correta, e me sugeriu colocá-lo pra mamar com mais frequência pra esvaziar meus seios.



No caminho pra casa, eu sentia dor embaixo da cirurgia e em cima nos meus seios... o Arthur mamava um pouquinho e já dormia... e meus seios cada vez maiores, latejando... liguei pra minha obstetra e ela me mandou ir para o Banco de Leite Humano - BLH, que em Belém fica na Santa Casa. Era sábado, 18h, chegamos lá, eu, minha mãe, James e Arthur. A moça da recepção só permitiu a subida de duas pessoas, então fomos eu e minha mãe com o Arthur. Chegando lá, fomos recebidas por uma nutricionista e uma psicóloga, que logo me acalmaram, eu estava com muitas dores e desesperada sem entender o que estava acontecendo. Elas me explicaram o processo de APOJADURA do leite, e que eu estava com ingurgitamento mamário, o que era normal para aquela fase de primeiros dias, porque era uma fase de adaptação do organismo à amamentação e que provavelmente duraria esse primeiro mês inteiro, me explicaram que ía ser doloroso, mas que elas fariam uma massagem e tirariam aquele leite, para que ele não "empedrasse" e causasse uma inflamação conhecida como mastite. Elas apertaram ambos os meus seios, tentaram tirar o máximo de leite, esqueci de dizer, porque o Banco de leite tem um horário de intervalo para limpeza que era naquele horário. Assim, que acabou o horário da limpeza, elas me encaminharam para a sala de ordenha, onde tive que tirar minhas roupas, me higienizar, colocar, toupa, roupão, máscara, protetores nos pés, para aprender a ordenhar. Assim, eu fiz, a enfermeira foi muito legal, paciente, me ajudou muito sugeriu várias medidas para que eu melhorasse aquela condição e me explicou que eu era forte candidata a ter uma alta produção de leite, e me cadastrou no programa de doação de leite materno.

Gente, vou dizer que nunca tinha sentido dor igual, e mesmo com as enfermeiras e nutricionistas sendo muito cuidadosas, a massagem pra fazer descer o leite ingurgitado, é extremamente dolorosa, daquelas da gente xingar dos piores nomes possíveis... mas ao final, saí outra pessoa, sem desconforto, elas colocaram o Arthur para mamar, e disseram o mesmo que a enfermeira do outro hospital, que eu tinha que colocar o Arthur para mamar bastante e fazer muita ordenha MANUAL apenas, para não estimular mais ainda minha produção de leite, nada de compressa quente, porque também estimula, no máximo durante o banho no chuveiro, eu poderia massagear e aproveitar para tirar aquele leite. Elas me deram vários potes e disseram que o corpo de bombeiros iria me ligar para pegar os vidros com leite. Explicaram como eu deveria ordenhar e armazenar o leite em casa, e desde então, virei fã de carteirinha do Banco de Leite Humano da Santa Casa de Belém-PA.

Essa foi minha primeira dificuldade na amamentação. Ainda virá uma longa lista de problemas...
Cenas para os próximos capítulos!
Até a próxima quinta!

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