Sou mãe e agora? Feliz dia das mães?
Post atrasado, mas minha sogra chegou de viagem, e eu estava ocupada deixando a casa um brinco...
Eu estou meio emotiva, é meu primeiro dia das mães com meu filho no braços, e aí fiquei pensando em como esse dia agora ganhou uma nova conotação pra mim...
É diferente quando estamos grávidas... hoje eu entendo quando o James disse que eu ainda não era mãe, no ano passado. De fato, a gente só é mãe depois que (sobre)VIVE a maternidade!
Primeiro porque quando estamos grávidas, a vida fica diferente, mas ainda somos donas de nós, ainda podemos fazer quase tudo que costumávamos fazer, algumas coisas com mais dificuldade outras menos, mas a vida segue. Segundo porque grávida é apelativo... pelo menos eu tive essa impressão... as pessoas te dão lugar, te respeitam, se sensibilizam pelo barrigão (a maioria pelo menos).
Depois que um bebê nasce acontece uma transformação (e por isso que dizem que a maternidade é transformadora), de uma hora pra outra um outro ser é completamente dependente de ti, nós viramos alimento, e é estafante! Muitas amigas vinham desesperadas dizendo "mas não para de chorar, parece que não está nunca saciado" e é isso mesmo, a gente não consegue 5 min de paz, como disse uma doula amiga minha "não dá nem pra fazer um cocô direito!". De repente, tem um bebê chorando a cada 30 min, 1h ou 2h (não sei da onde alguns pediatras tiram a idéia de dar o peito a cada 3h), e quando mamam, ficam de 5 min a 2h, plugados no nosso peito... Associado a isso, a gente sofre uma baixa hormonal... e (pelo menos eu chorei todos os dias do primeiro mês) choramos... choramos por tudo... uma tristeza sem fim, dá um desespero, de repente a gente pensa que não vai aguentar, que não dá conta...
E aí o peito racha, tem febre do leite, o peito ingurgita, o mamilo dói, fica sensível, e amamentar se torna uma tensão, a gente urra de dor, recebe milhões de conselhos, tem que testar um por um...
Junto de tudo isso... as noites mal dormidas... não sei vocês, mas eu prezava muito pelo meu sono, e o Arthur acordava a cada 2h, e em cada vez que ele acorda eu dava o peito, e meu marido trocava a fralda... ou seja, os dois ficam exaustos, fato que trás estresse, fato que causa brigas... e hoje eu entendo porque muitos casais se separam nos primeiros anos de vida de uma criança...
Vem o segundo e o terceiro mês, ainda de muitos ajustes... o 3º mês é mais tranquilo, a gente começa a se habituar e o bebê começa a ter uma rotina, mas já começa o estresse porque no próximo mês já é a volta ao trabalho (comigo foi assim), e aí vem a tristeza, afinal, mãe e filho ainda são praticamente 1 só. Como eu sofri... e como sofro ainda... quanta culpa... vontade de jogar tudo pro alto... medo pela falta de grana... preocupação por estar tomando a decisão errada (seja lá qual foi pra você)...
Aí vem a volta ao trabalho, e se você resolve seguir firme na amamentação como eu fiz, vem o trabalho de estocar leite, o desespero porque na primeira ordenha saiu só 20 mL, e a gente sabe que o bebê mama MUITO mais do que isso... depois a gente aprende que cada vez vai saindo mais leite, mas é mais um momento de tensão e estresse... medo de não dar conta...
Quando o trabalho começa valendo, como lidar com o seios cheios no trabalho? Ordenhar no meio do dia, que sufoco, a maioria das empresas e órgãos públicos não tem área para ordenha adequada para a mulher. E a saudade... eu chorava toda vez que minha mãe mandava uma foto, e chorava mais ainda quando ela mostrava algum progresso dele... quando a gente chega no final do dia, eles ficam grudados compensando a falta, sugando nossas almas... o cansaço é extremo... reclamou quando era RN? Espera voltar a trabalhar... parece que toda a tua energia é drenada...
Se você aguentou 2 meses trabalhando, no 6º mês o sofrimento é a IA (introdução alimentar), a gente quer fazer tudo direitinho, comidinha, lavar, esterilizar, comprar potes livres de BPA, compra copo, pratinho, colher, a bolsa engorda... e ainda tem que estocar leite... O bebê não aceita como esperado, muita culpa, ou quando come bem, você não está perto pra comemorar (porque está no trabalho)....
Depois disso, talvez o sofrimento de ir trabalhar já tenha diminuído... mas vem a fase da "angústia da separação", o bebê começa a se reconhecer como uma pessoa, ele percebe que vocês são separados, e é a fase do choro, a fase de querer muito colo, se antes ele não chorava quando você ía trabalhar, agora ele faz um escândalo, ele não quer ir com ninguém, ele só quer você, toda hora... não conseguimos fazer mais nada, porque se sumimos por um minutinho ele chora, grita, faz mais escândalo...
Daí a gente sofre mais no trabalho...
O trabalho já não rende como deveria, e nós tomamos bronca d@ chef@... pensamos em largar tudo de novo... mais culpa...
Começam a chegar as viroses, mais noites mal dormidas, mais preocupação, mais choro, mais culpa...
E assim a maternidade segue...
E digo mais, sem uma rede de apoio, a gente PIRA!! Sim... se você não tem apoio da sua mãe, do seu marido e da sua sogra... faça um favor a você, se junte a outras mães, forme um grupo no whatsapp, vocês vão ver que todas passam por todas essas crises, umas com mais ou menos intensidade, mas vão ver o casamento balançar, sentir a beleza se acabar, perder o interesse no trabalho... e o fato de não sentir que nosso caso é o único, já nos dá certeza que o lema da maternidade, o famoso "vai passar!" é muito verdade! E vai te dar forças pra superar um dia de cada vez...
Se você tem o apoio da mãe, do marido, da sogra, PARABÉNS!! Mas mesmo assim... procure amigas mães, porque elas terão mais empatia pelo seu sofrimento! E se dêem um presente... minhas amigas e eu marcamos um ensaio coletivo com nossas crias e ficou lindo! MELHOR PRESENTE!
Alguém que leu até aqui deve pensar "ué? não era um post sobre dia das mães?" Sim! Eu quero mostrar, que embora seja sim uma data comercial, ela merece ser muito comemorada, porque é cada fogueira que a gente pula! Pode não se ganhar um presente, mas DEVE se aproveitar esta data!
Afinal, nem só de coisas ruins é feita a maternidade, porque nossas crias tem um poder mágico de fazer qualquer coisa boba parecer algo transcendentalmente magnífico, e apaga tudo de ruim que a gente possa ter vivenciado até aqui e ter aquela sensação de felicidade idiota, que bota um sorriso bobo no nosso rosto e um brilho no nosso olhar, além é claro da vontade de chorar... mas um choro de alegria!
Maternidade é o maior paradoxo da humanidade e por isso eu desejo um FELIZ MARAVILHOSO ESTUPENDO DIA DAS MÃES pra todas e porque não todos (já que existe pais que são mães também), comemorem sim!! Comemorem sempre!! Parabéns pra nós! Desejo mais sororidade em nossas vidas! E desejo que a vida seja mais leve com as mães desse universo!!
Beijos!
Eu estou meio emotiva, é meu primeiro dia das mães com meu filho no braços, e aí fiquei pensando em como esse dia agora ganhou uma nova conotação pra mim...
É diferente quando estamos grávidas... hoje eu entendo quando o James disse que eu ainda não era mãe, no ano passado. De fato, a gente só é mãe depois que (sobre)VIVE a maternidade!
Primeiro porque quando estamos grávidas, a vida fica diferente, mas ainda somos donas de nós, ainda podemos fazer quase tudo que costumávamos fazer, algumas coisas com mais dificuldade outras menos, mas a vida segue. Segundo porque grávida é apelativo... pelo menos eu tive essa impressão... as pessoas te dão lugar, te respeitam, se sensibilizam pelo barrigão (a maioria pelo menos).
Depois que um bebê nasce acontece uma transformação (e por isso que dizem que a maternidade é transformadora), de uma hora pra outra um outro ser é completamente dependente de ti, nós viramos alimento, e é estafante! Muitas amigas vinham desesperadas dizendo "mas não para de chorar, parece que não está nunca saciado" e é isso mesmo, a gente não consegue 5 min de paz, como disse uma doula amiga minha "não dá nem pra fazer um cocô direito!". De repente, tem um bebê chorando a cada 30 min, 1h ou 2h (não sei da onde alguns pediatras tiram a idéia de dar o peito a cada 3h), e quando mamam, ficam de 5 min a 2h, plugados no nosso peito... Associado a isso, a gente sofre uma baixa hormonal... e (pelo menos eu chorei todos os dias do primeiro mês) choramos... choramos por tudo... uma tristeza sem fim, dá um desespero, de repente a gente pensa que não vai aguentar, que não dá conta...
E aí o peito racha, tem febre do leite, o peito ingurgita, o mamilo dói, fica sensível, e amamentar se torna uma tensão, a gente urra de dor, recebe milhões de conselhos, tem que testar um por um...
Junto de tudo isso... as noites mal dormidas... não sei vocês, mas eu prezava muito pelo meu sono, e o Arthur acordava a cada 2h, e em cada vez que ele acorda eu dava o peito, e meu marido trocava a fralda... ou seja, os dois ficam exaustos, fato que trás estresse, fato que causa brigas... e hoje eu entendo porque muitos casais se separam nos primeiros anos de vida de uma criança...
Vem o segundo e o terceiro mês, ainda de muitos ajustes... o 3º mês é mais tranquilo, a gente começa a se habituar e o bebê começa a ter uma rotina, mas já começa o estresse porque no próximo mês já é a volta ao trabalho (comigo foi assim), e aí vem a tristeza, afinal, mãe e filho ainda são praticamente 1 só. Como eu sofri... e como sofro ainda... quanta culpa... vontade de jogar tudo pro alto... medo pela falta de grana... preocupação por estar tomando a decisão errada (seja lá qual foi pra você)...
Aí vem a volta ao trabalho, e se você resolve seguir firme na amamentação como eu fiz, vem o trabalho de estocar leite, o desespero porque na primeira ordenha saiu só 20 mL, e a gente sabe que o bebê mama MUITO mais do que isso... depois a gente aprende que cada vez vai saindo mais leite, mas é mais um momento de tensão e estresse... medo de não dar conta...
Quando o trabalho começa valendo, como lidar com o seios cheios no trabalho? Ordenhar no meio do dia, que sufoco, a maioria das empresas e órgãos públicos não tem área para ordenha adequada para a mulher. E a saudade... eu chorava toda vez que minha mãe mandava uma foto, e chorava mais ainda quando ela mostrava algum progresso dele... quando a gente chega no final do dia, eles ficam grudados compensando a falta, sugando nossas almas... o cansaço é extremo... reclamou quando era RN? Espera voltar a trabalhar... parece que toda a tua energia é drenada...
Se você aguentou 2 meses trabalhando, no 6º mês o sofrimento é a IA (introdução alimentar), a gente quer fazer tudo direitinho, comidinha, lavar, esterilizar, comprar potes livres de BPA, compra copo, pratinho, colher, a bolsa engorda... e ainda tem que estocar leite... O bebê não aceita como esperado, muita culpa, ou quando come bem, você não está perto pra comemorar (porque está no trabalho)....
Depois disso, talvez o sofrimento de ir trabalhar já tenha diminuído... mas vem a fase da "angústia da separação", o bebê começa a se reconhecer como uma pessoa, ele percebe que vocês são separados, e é a fase do choro, a fase de querer muito colo, se antes ele não chorava quando você ía trabalhar, agora ele faz um escândalo, ele não quer ir com ninguém, ele só quer você, toda hora... não conseguimos fazer mais nada, porque se sumimos por um minutinho ele chora, grita, faz mais escândalo...
Daí a gente sofre mais no trabalho...
O trabalho já não rende como deveria, e nós tomamos bronca d@ chef@... pensamos em largar tudo de novo... mais culpa...
Começam a chegar as viroses, mais noites mal dormidas, mais preocupação, mais choro, mais culpa...
E assim a maternidade segue...
E digo mais, sem uma rede de apoio, a gente PIRA!! Sim... se você não tem apoio da sua mãe, do seu marido e da sua sogra... faça um favor a você, se junte a outras mães, forme um grupo no whatsapp, vocês vão ver que todas passam por todas essas crises, umas com mais ou menos intensidade, mas vão ver o casamento balançar, sentir a beleza se acabar, perder o interesse no trabalho... e o fato de não sentir que nosso caso é o único, já nos dá certeza que o lema da maternidade, o famoso "vai passar!" é muito verdade! E vai te dar forças pra superar um dia de cada vez...
Se você tem o apoio da mãe, do marido, da sogra, PARABÉNS!! Mas mesmo assim... procure amigas mães, porque elas terão mais empatia pelo seu sofrimento! E se dêem um presente... minhas amigas e eu marcamos um ensaio coletivo com nossas crias e ficou lindo! MELHOR PRESENTE!
Foto por Karina Paes.
Alguém que leu até aqui deve pensar "ué? não era um post sobre dia das mães?" Sim! Eu quero mostrar, que embora seja sim uma data comercial, ela merece ser muito comemorada, porque é cada fogueira que a gente pula! Pode não se ganhar um presente, mas DEVE se aproveitar esta data!
Afinal, nem só de coisas ruins é feita a maternidade, porque nossas crias tem um poder mágico de fazer qualquer coisa boba parecer algo transcendentalmente magnífico, e apaga tudo de ruim que a gente possa ter vivenciado até aqui e ter aquela sensação de felicidade idiota, que bota um sorriso bobo no nosso rosto e um brilho no nosso olhar, além é claro da vontade de chorar... mas um choro de alegria!
Maternidade é o maior paradoxo da humanidade e por isso eu desejo um FELIZ MARAVILHOSO ESTUPENDO DIA DAS MÃES pra todas e porque não todos (já que existe pais que são mães também), comemorem sim!! Comemorem sempre!! Parabéns pra nós! Desejo mais sororidade em nossas vidas! E desejo que a vida seja mais leve com as mães desse universo!!
Beijos!

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