Às vezes a maternidade pode ser a PIOR e a MELHOR fase da sua vida, AO MESMO TEMPO!!
Desculpaaaassss, post super atrasado!
Bom, esse será um post polêmico, porque vou contar coisas que são extremamente pessoais, no caso íntimas...
Uma vez, eu li uma matéria acho que no Huff Post sobre pessoas que diziam "Amo meu filho, mas odeio ser mãe", parece contraditório mas não é... a maternidade é carregada de culpa, carregada de julgamentos, carregada atribulações, e SOBREcarregada de cansaço e atividades sem fim... e mesmo assim, acho que para qualquer pessoa "sem problemas psicológicos graves", é impossível não se apaixonar pelx próprix filhx...
No meu caso, eu AMO ser mãe, sério, de verdade, teria uns quantos filhos, povoaria o mundo valendo se pudesse e de quebra ainda adotaria uma penca... mas ela me trouxe uma carga de coisas ruins, que me deixam num turbilhão de emoções diariamente.
Quando o Arthur nasceu, eu tive que aprender que tinha um ser dependente de mim pra viver, porque eu era o seu alimento exclusivo, depois de dois meses de nascido, descobri que ele era APLV (alérgico a proteína do Leite de vaca), o bichinho sofreu muito nesses meses, teve muita assadura (porque o cocô fica mais ácido), tinha cólicas absurdas, de passar a noite inteira chorando, e tinha muitos gases... Tive que começar uma dieta sem qualquer traço de leite e derivados... e eu não sou boa de cozinhar... imaginem... tudo que é gostoso leva leite gente! Leva manteiga! Leva queijo! Tive que me virar nos 30 pra conseguir substituir o leite de vaca por leites vegetais como côco, amêndoas, arroz. Manteiga eu troquei pela becel, ou para algumas receitas cheguei a usar banha ou gordura vegetal. Queijo eu tive que abstrair... pq ah tem umas receitas de queijos veganos, mas não chegam nem perto do sabor...
Eu emagreci tanto... que minhas calças com lycra tamanho 36 caem! Emagreci de uma forma tal, que me olho no espelho e me acho horrível, parece que nenhuma roupa fica bonita... ah sim, emagreci mas a barriga ficou... sim, porque independente da via de nascimento... a barriga permanece, uma pele, molenga, horrosa... enfim... pareço uma verminosa, seca com buchinho...
Isso afetou (e ainda afeta) minha auto-estima, e olha que nunca fui vaidosa, mas agora eu me acho tão desconpensada fisicamente, que tenho vontade ZERO de me arrumar... saio com qualquer roupa, qualquer sapato, brincos? o que é isso?, batom? nunca mais... cabelo, somente preso... nem preciso dizer que isso afetou meu relacionamento... porque eu não me sentia a vontade em ficar sem roupas na frente do marido...
Algumas coisas eu superei... tipo a vergonha de ficar nua na frente do marido... e já dei um tapa no visual, cortando o cabelo, e de vez em quando me forço a passar um batom... agora dou preferência aos vestidos soltinhos, que disfarçam mais minha condição de magra verminosa... heuehuheuhe e a vida vai seguindo...
Aí veio o trabalho... se minha orientadora ler isso, ou alguém comentar isso com ela, nem consigo imaginar o que ela irá falar... mas esse é meu blog, então falo o que eu quiser... Eu juro pra vocês, se arrependimento matasse, eu estaria no núcleo da Terra de tão morta e enterrada... fazer o sanduiche na Alemanha, foi a pior escolha que eu poderia ter feito... porque me algemou ao doutorado... quantas vezes eu pensei em desistir? TODOS OS DIAS... Todo dia eu penso que eu gostaria de largar tudo pra cuidar do meu filho, essa é a parte que mais me causa sofrimento... e o sanduiche me algemou, porque se eu for jubilada eu tenho que devolver todo o dinheiro que recebi pra viajar... acho justo, afinal o governo fez um investimento em mim, mas quem não sai pra fazer doutorado fora ou faz sanduiche que nem eu, não precisa devolver a bolsa que recebeu no Brasil... nada acontece... A única punição, é que se um dia a pessoa quiser voltar a fazer um doutorado, aparentemente ela fica bloqueada pra receber bolsa novamente... isso sem contar, que minha licença maternidade foi de somente 4 meses... e além disso, minha orientadora por não ter filhos, às vezes me mandava uns e-mails me pedindo coisas, ou mandando umas tarefas, que mesmo que simples, me demandavam um tempo que eu não tinha tão disponível assim como ela achava... porque eu tenho certeza que na cabeça dela, eu ficava em casa só coçando com um bebê do lado...
Além disso, depois de voltar ao trabalho, eu sinto um cansaço extremo... e se tratando de pesquisa, muitas vezes, eu tenho que trabalhar depois das 23h pra conseguir finalizar certas coisas e tentar cumprir o prazo do meu doutorado.... e tem sido muito difícil...
Fora que, minha orientadora não é muito compreenssiva às vezes quando digo que preciso faltar porque meu filho ficou doente... uma vez em uma reunião, ela chegou a sugerir que eu o colocasse numa creche ou pagasse uma babá, porque ele PRECISAVA ser mais independente (nessa época o Arthur tinha 8 meses...), ela de vez em quando me dá umas indiretas porque meu trabalho está atrasado, e muitas vezes tenta negociar, tipo essa semana eu pedi folga (porque tem feriado) e o Arthur está doente AINDA, e ela me respondeu "Você que sabe, mas dia tal você TEM que estar no laboratório mesmo que leve seu filho porque vem um professor de fora e eu não estarei presente no dia, porque estarei trabalhando" ... é muito triste ler essas coisas... empatia zero...
Fora isso, tem o relacionamento, pra algumas pessoas melhora, mas o que vejo é que pra maioria piora, no meu caso, tenho um ponto de vista muito diferente do meu marido em relação à criação do Arthur, ele se acha um pai bem sucedido por já ter um filho, e muitas das vezes me trata como uma perfeita ignorante no assunto... sério... No geral, meu marido assumiu muitas tarefas da casa para que eu pudesse cuidar do Arthur, por ex. ele que faz a comida, ele comprou uma lava-louças pra que eu não perdesse tempo na pia.... mas em muitos momentos, vejo que ele se incomoda de eu deixar tudo em segundo plano pelo nosso filho, ultimame exemplo (sei que ele vai me matar quando souber disso aqui) mas eu escolhi amamentar em livre demanda, e sim, é cansativo, tem noites que o Arthur acorda várias vezes de madrugada e eu fico quebrada, e ao invés de receber apoio eu tenho que ouvir "Mas É LIVRE DEMANDA QUE TU QUERIAS, NÉ?" fora que ultimamente ele é super a favor do desmame do Arthur, e só aumenta meu conflito, porque na cabeça dele, se eu desmamar, vou poder trabalhar mais descansada... o que no final, mostra que ele está me ajudando, mas ele só me deprime com essas coisas...
mesmo assim, mesmo chorando várias vezes durante a madrugada, ou sozinha no banho, ou no trabalho trancada na minha sala... sofrendo todos esses conflitos, e assumindo muita culpa....Eu sou muito feliz por ter o Arthur na minha vida... sim ele é minha luz! E é nele que tenho pensado pra tentar superar essas coisas ruins que a maternidade me trouxe... porque no final das contas, não é culpa dele, e agora pensando bem, não é culpa da maternidade...
Se sou a favor de sermos mais lights com quem é mãe ou pai? sou sim! Caso vocês não saibam, tem dias que o Arthur chora o dia inteiro, "sem motivo aparente", na verdade o motivo é que ele quer atenção que nem sempre posso dar, porque tenho que responder um e-mail aqui, ler um relatório ali, cuidar da casa, e ainda tenho que dar atenção ao marido (esqueci desse detalhe) porque às vezes, ele se sente carente (como se eu não tivesse carência nenhuma)...
Vida é muito dura com as mães... mas os filhos compensam todo esse desconforto, com suas vitórias e progressos...
E por isso eu sempre digo que atualmente eu vivo a melhor e a pior fase da minha vida... e sei que não vai melhorar.... mas não tenho certeza de que não irá piorar...
P.S.: foi um desabafo, foi! Mas isso é o que milhares de mulheres enfrentam diariamente... vivem de conflitos internos, insegurança e oscilam entre momentos de tristeza e alegria várias vezes durante um único dia! então foi só pra mostrar que por trás de toda a felicidade da maternidade (felicidade real), tem muita necessidade de empatia, abraço e atenção de nossa parte!
Bom, esse será um post polêmico, porque vou contar coisas que são extremamente pessoais, no caso íntimas...
Uma vez, eu li uma matéria acho que no Huff Post sobre pessoas que diziam "Amo meu filho, mas odeio ser mãe", parece contraditório mas não é... a maternidade é carregada de culpa, carregada de julgamentos, carregada atribulações, e SOBREcarregada de cansaço e atividades sem fim... e mesmo assim, acho que para qualquer pessoa "sem problemas psicológicos graves", é impossível não se apaixonar pelx próprix filhx...
No meu caso, eu AMO ser mãe, sério, de verdade, teria uns quantos filhos, povoaria o mundo valendo se pudesse e de quebra ainda adotaria uma penca... mas ela me trouxe uma carga de coisas ruins, que me deixam num turbilhão de emoções diariamente.
Quando o Arthur nasceu, eu tive que aprender que tinha um ser dependente de mim pra viver, porque eu era o seu alimento exclusivo, depois de dois meses de nascido, descobri que ele era APLV (alérgico a proteína do Leite de vaca), o bichinho sofreu muito nesses meses, teve muita assadura (porque o cocô fica mais ácido), tinha cólicas absurdas, de passar a noite inteira chorando, e tinha muitos gases... Tive que começar uma dieta sem qualquer traço de leite e derivados... e eu não sou boa de cozinhar... imaginem... tudo que é gostoso leva leite gente! Leva manteiga! Leva queijo! Tive que me virar nos 30 pra conseguir substituir o leite de vaca por leites vegetais como côco, amêndoas, arroz. Manteiga eu troquei pela becel, ou para algumas receitas cheguei a usar banha ou gordura vegetal. Queijo eu tive que abstrair... pq ah tem umas receitas de queijos veganos, mas não chegam nem perto do sabor...
Eu emagreci tanto... que minhas calças com lycra tamanho 36 caem! Emagreci de uma forma tal, que me olho no espelho e me acho horrível, parece que nenhuma roupa fica bonita... ah sim, emagreci mas a barriga ficou... sim, porque independente da via de nascimento... a barriga permanece, uma pele, molenga, horrosa... enfim... pareço uma verminosa, seca com buchinho...
Isso afetou (e ainda afeta) minha auto-estima, e olha que nunca fui vaidosa, mas agora eu me acho tão desconpensada fisicamente, que tenho vontade ZERO de me arrumar... saio com qualquer roupa, qualquer sapato, brincos? o que é isso?, batom? nunca mais... cabelo, somente preso... nem preciso dizer que isso afetou meu relacionamento... porque eu não me sentia a vontade em ficar sem roupas na frente do marido...
Algumas coisas eu superei... tipo a vergonha de ficar nua na frente do marido... e já dei um tapa no visual, cortando o cabelo, e de vez em quando me forço a passar um batom... agora dou preferência aos vestidos soltinhos, que disfarçam mais minha condição de magra verminosa... heuehuheuhe e a vida vai seguindo...
Aí veio o trabalho... se minha orientadora ler isso, ou alguém comentar isso com ela, nem consigo imaginar o que ela irá falar... mas esse é meu blog, então falo o que eu quiser... Eu juro pra vocês, se arrependimento matasse, eu estaria no núcleo da Terra de tão morta e enterrada... fazer o sanduiche na Alemanha, foi a pior escolha que eu poderia ter feito... porque me algemou ao doutorado... quantas vezes eu pensei em desistir? TODOS OS DIAS... Todo dia eu penso que eu gostaria de largar tudo pra cuidar do meu filho, essa é a parte que mais me causa sofrimento... e o sanduiche me algemou, porque se eu for jubilada eu tenho que devolver todo o dinheiro que recebi pra viajar... acho justo, afinal o governo fez um investimento em mim, mas quem não sai pra fazer doutorado fora ou faz sanduiche que nem eu, não precisa devolver a bolsa que recebeu no Brasil... nada acontece... A única punição, é que se um dia a pessoa quiser voltar a fazer um doutorado, aparentemente ela fica bloqueada pra receber bolsa novamente... isso sem contar, que minha licença maternidade foi de somente 4 meses... e além disso, minha orientadora por não ter filhos, às vezes me mandava uns e-mails me pedindo coisas, ou mandando umas tarefas, que mesmo que simples, me demandavam um tempo que eu não tinha tão disponível assim como ela achava... porque eu tenho certeza que na cabeça dela, eu ficava em casa só coçando com um bebê do lado...
Além disso, depois de voltar ao trabalho, eu sinto um cansaço extremo... e se tratando de pesquisa, muitas vezes, eu tenho que trabalhar depois das 23h pra conseguir finalizar certas coisas e tentar cumprir o prazo do meu doutorado.... e tem sido muito difícil...
Fora que, minha orientadora não é muito compreenssiva às vezes quando digo que preciso faltar porque meu filho ficou doente... uma vez em uma reunião, ela chegou a sugerir que eu o colocasse numa creche ou pagasse uma babá, porque ele PRECISAVA ser mais independente (nessa época o Arthur tinha 8 meses...), ela de vez em quando me dá umas indiretas porque meu trabalho está atrasado, e muitas vezes tenta negociar, tipo essa semana eu pedi folga (porque tem feriado) e o Arthur está doente AINDA, e ela me respondeu "Você que sabe, mas dia tal você TEM que estar no laboratório mesmo que leve seu filho porque vem um professor de fora e eu não estarei presente no dia, porque estarei trabalhando" ... é muito triste ler essas coisas... empatia zero...
Fora isso, tem o relacionamento, pra algumas pessoas melhora, mas o que vejo é que pra maioria piora, no meu caso, tenho um ponto de vista muito diferente do meu marido em relação à criação do Arthur, ele se acha um pai bem sucedido por já ter um filho, e muitas das vezes me trata como uma perfeita ignorante no assunto... sério... No geral, meu marido assumiu muitas tarefas da casa para que eu pudesse cuidar do Arthur, por ex. ele que faz a comida, ele comprou uma lava-louças pra que eu não perdesse tempo na pia.... mas em muitos momentos, vejo que ele se incomoda de eu deixar tudo em segundo plano pelo nosso filho, ultimame exemplo (sei que ele vai me matar quando souber disso aqui) mas eu escolhi amamentar em livre demanda, e sim, é cansativo, tem noites que o Arthur acorda várias vezes de madrugada e eu fico quebrada, e ao invés de receber apoio eu tenho que ouvir "Mas É LIVRE DEMANDA QUE TU QUERIAS, NÉ?" fora que ultimamente ele é super a favor do desmame do Arthur, e só aumenta meu conflito, porque na cabeça dele, se eu desmamar, vou poder trabalhar mais descansada... o que no final, mostra que ele está me ajudando, mas ele só me deprime com essas coisas...
mesmo assim, mesmo chorando várias vezes durante a madrugada, ou sozinha no banho, ou no trabalho trancada na minha sala... sofrendo todos esses conflitos, e assumindo muita culpa....Eu sou muito feliz por ter o Arthur na minha vida... sim ele é minha luz! E é nele que tenho pensado pra tentar superar essas coisas ruins que a maternidade me trouxe... porque no final das contas, não é culpa dele, e agora pensando bem, não é culpa da maternidade...
Se sou a favor de sermos mais lights com quem é mãe ou pai? sou sim! Caso vocês não saibam, tem dias que o Arthur chora o dia inteiro, "sem motivo aparente", na verdade o motivo é que ele quer atenção que nem sempre posso dar, porque tenho que responder um e-mail aqui, ler um relatório ali, cuidar da casa, e ainda tenho que dar atenção ao marido (esqueci desse detalhe) porque às vezes, ele se sente carente (como se eu não tivesse carência nenhuma)...
Vida é muito dura com as mães... mas os filhos compensam todo esse desconforto, com suas vitórias e progressos...
E por isso eu sempre digo que atualmente eu vivo a melhor e a pior fase da minha vida... e sei que não vai melhorar.... mas não tenho certeza de que não irá piorar...
P.S.: foi um desabafo, foi! Mas isso é o que milhares de mulheres enfrentam diariamente... vivem de conflitos internos, insegurança e oscilam entre momentos de tristeza e alegria várias vezes durante um único dia! então foi só pra mostrar que por trás de toda a felicidade da maternidade (felicidade real), tem muita necessidade de empatia, abraço e atenção de nossa parte!
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