Relato de não parto - Parte III final
Antes, de retornar ao meu relato, gostaria de esclarecer 2 pontos:
1) Um bebê pélvico não é indicação obrigatória de cesárea! Sim, porque pode-se fazer uma Versão Cefálica Externa ou pode nascer de parto normal mesmo. Contudo, nesse caso a parturiente pode fazer a escolha entre o PN ou Cesárea, porque um bebê pélvico não pode ter o parto induzido (não encontrei um artigo sobre isso, mas nos sites de hospitais de pesquisa americanos, australianos e a minha própria médica me repassou essa informação), os riscos são quase os mesmos entre PN e cesárea (que riscos? Tudo tem um risco, né gente? Nada é 100% nessa vida, então cada via de nascimento tem sua porcentagem de algo dar errado), além disso, diiiizeeeeemmmm por aí que é um parto mais doloroso, porque a cabeça fica para o final (mas minha amiga pariu 15 dias depois de mim e disse que foi de boas - pariu pélvico com a mesma obstetra tá gente?).
2) Oligodrâmnio não é indicação de cesárea também! Masss isso somente quando é uma condição isolada, ou seja, não existem outros quadros para complicar mais a situação e quando diagnosticado previamente, porque essa condição pode ser revertida sim, é só a grávida tomar mais líquidos que o normal.
Então... se você está com um bebê pélvico e já tem mais de 30 semanas, você pode tê-lo por via normal (desde que o profissional que vá assistir seu parto, tenha experiência nesse tipo de caso). E se você está com oligodrâmnio, mas não tem nenhuma outra complicação, você pode tentar primeiro reverter o quadro duplicando a sua ingestão de água e refazendo o ultrassom para uma nova medida.
No meu caso, eu tinha os dois fatores, (nem sei se posso considerar o oligodrâmnio, porque na 2ª USG deu ILA 11, mas como tinham outros dados errados no USG, desnconfiamos que o ILA tinha diminuído mais um pouco sim.) E a Dani, minha obstetra, deu um prazo que acredito ter sido plausível para que eu entrasse em TP, sem assumir riscos desnecessários para mim e para o meu filho. Neste caso, ela resolveu esperar mais 5 dias a contar da data da última USG, que seria no dia 28 de maio de 2015.
Desde então, eu já quase não dormia, porque embora eu não tivesse engordado muito, eu parecia uma sucuri que tinha engolido um elefante, SÓ BARRIGA, e qualquer posição era muito desconfortável, além de toda ansiedade por sentir as dores do parto. Qualquer dor, eu já abria um sorriso e mentalizava "HOJE TEMMM!", mas só alarmes falsos... teve até um dia que estávamos no supermercado, e eu senti uma dor absurda, quase caio no banheiro, vocês nem imaginam minha felicidade, saí correndo (grávida corre?), ok andando rápido igual um pinguim, bati nas costas do marido e disse "é hoje! Termina logo e vamos para casa!", pegamos as compras correndo, fiquei deitadinha esperando vir mais... e esperei... esperei... e nada... eu chorava horrores nessa espera...
No dia 27 de maio, a minha GO me escreveu e disse que minha cesárea estava agendada para o dia 28 às 9h, mas que ainda tinha um longo dia e uma longa madrugada para que o TP iniciasse, e que era pra eu ficar tranquila.
Eu fiz o checklist final, arrumei a mala da maternidade, montei um esquema com o James e a mamãe de como ía ser no hospital, conversei com minha Doula, e passei um dia melancólico e ansioso.
Acordei (não, eu quase não dormi), levantei no dia 28 nervosa, uma pilha de nervos, assim de me tremer "igual vara verde" como diz minha mãe, não pude tomar café, mandei msg pra minha Doula e fomos para o hospital.
Rolou o de prache, conferir os dados, ensinaram como acontece os procedimentos, deram umas "roupas" pra mim e pro James, e ficamos esperando a hora chegar, minha Doula chegou, e logo em seguida veio o maqueiro, eu pedi que ele conseguisse uma roupa pra minha doula, porque ela entraria na Sala de Cirurgia conosco (Sim, nessa maternidade é permitida a entrada da Doula + o acompanhante), mas o maqueiro muito bem informado, e com muita simpatia (#SQN) disse que ela não podia entrar na cirurgia e que eu tinha que ir logo com ele...
CLAROOOO... claro que num dia tão importante nada poderia ser simples e tranquilo... minha resposta foi, "Pois você vai subir sozinho, porque eu não saio daqui sem minha Doula!". ele ficou super-irritado e disse que o problema era meu, porque se a minha cirurgia atrasasse, a minha médica perderia a reserva da sala de cirurgia (isso é coisa que se diga?!).
Pouco tempo depois desceu um OUTRO maqueiro, e a minha Doula foi conversar com a psicóloga do Hospital, e nos orientou que subíssemos para o centro cirúrgico.
Ao entrar na sala do centro cirúrgico, o meu marido teve a entrada impedida. A justificativa foi a de que durante a analgesia não pode estar ninguém presente além da equipe. Depois de muito barraco, eu já estava no nível máximo de tristeza/estresse/nervosismo, sem Doula, sem acompanhante, minha obstetra, ficou ao meu lado me abraçou e disse "Estou aqui contigo", (eu estava com medo, muito medo, e desabei a chorar), o anestesista vendo a situação, e acho que mais preocupado com um possível processo, solicitou a enfermeira que chamasse a minha doula, mas a mesma se recusou a ir (PASMEM!!)...
Quando a cirurgia estava prestes a começar, entraram a minha Doula e o meu marido, e até a abertura total da minha barriga, tudo durou uns 20 min (que pareceram uma eternidade), quando a Dani, foi retirar o Arthur, ela baixou o campo para que eu pudesse vê-lo nascer, e exclamou: "TU ESTÁS SECA!". Gente, um turbilhão de pensamentos passou pela minha cabeça nesses poucos segundos "Como eu coloquei meu filho em risco desse jeito?", "que mãe irresponsável que eu sou", ela fez tanta força pra tirar o Arthur de mim, porque ele estava praticamente grudado no meu útero, e eu só consegui perguntar " ELE TÁ BEM?".
Foi quando saiu aquele bebezão, fofíssimo, chorando, gente ele era muito lindo! (ainda é.. hehehe) só nisso demorou-se mais 11 min, porque o Arthur nasceu 9h31 da manhã.
A idéia era deixar o cordão intacto até que parasse de bombear todo o sangue da placenta, mas ele já não estava bombeando nada, estava branco pálido e seco... a Dani cortou rapidamente, sob essa justificativa, e a pediatra levou meu filho correndo...
A Dani falou pro James sair correndo atrás da pediatra enquanto ela finalizava meus pontos. Essa finalização durou mais 10 - 15min, mas foi a parte mais foda... senti uma ânsia de vômito horrorosa, e não conseguia vomitar, porque não tinha nada no estômago, aquele cheiro de pele queimada, aff...
Enfim, o James voltou com meu filho, ele ficou no meu peito, desamarraram meus braços, tudo terminou e fomos pro quarto.
Mesmo seca o Arthur nasceu com APGAR 9/9, ou seja super saudável!
Mamou assim que chegamos no quarto e dormiu em meus braços, tudo acabou... e eu e o James estávamos maravilhados com aquele bebezinho lindo!
1) Um bebê pélvico não é indicação obrigatória de cesárea! Sim, porque pode-se fazer uma Versão Cefálica Externa ou pode nascer de parto normal mesmo. Contudo, nesse caso a parturiente pode fazer a escolha entre o PN ou Cesárea, porque um bebê pélvico não pode ter o parto induzido (não encontrei um artigo sobre isso, mas nos sites de hospitais de pesquisa americanos, australianos e a minha própria médica me repassou essa informação), os riscos são quase os mesmos entre PN e cesárea (que riscos? Tudo tem um risco, né gente? Nada é 100% nessa vida, então cada via de nascimento tem sua porcentagem de algo dar errado), além disso, diiiizeeeeemmmm por aí que é um parto mais doloroso, porque a cabeça fica para o final (mas minha amiga pariu 15 dias depois de mim e disse que foi de boas - pariu pélvico com a mesma obstetra tá gente?).
2) Oligodrâmnio não é indicação de cesárea também! Masss isso somente quando é uma condição isolada, ou seja, não existem outros quadros para complicar mais a situação e quando diagnosticado previamente, porque essa condição pode ser revertida sim, é só a grávida tomar mais líquidos que o normal.
Então... se você está com um bebê pélvico e já tem mais de 30 semanas, você pode tê-lo por via normal (desde que o profissional que vá assistir seu parto, tenha experiência nesse tipo de caso). E se você está com oligodrâmnio, mas não tem nenhuma outra complicação, você pode tentar primeiro reverter o quadro duplicando a sua ingestão de água e refazendo o ultrassom para uma nova medida.
No meu caso, eu tinha os dois fatores, (nem sei se posso considerar o oligodrâmnio, porque na 2ª USG deu ILA 11, mas como tinham outros dados errados no USG, desnconfiamos que o ILA tinha diminuído mais um pouco sim.) E a Dani, minha obstetra, deu um prazo que acredito ter sido plausível para que eu entrasse em TP, sem assumir riscos desnecessários para mim e para o meu filho. Neste caso, ela resolveu esperar mais 5 dias a contar da data da última USG, que seria no dia 28 de maio de 2015.
Desde então, eu já quase não dormia, porque embora eu não tivesse engordado muito, eu parecia uma sucuri que tinha engolido um elefante, SÓ BARRIGA, e qualquer posição era muito desconfortável, além de toda ansiedade por sentir as dores do parto. Qualquer dor, eu já abria um sorriso e mentalizava "HOJE TEMMM!", mas só alarmes falsos... teve até um dia que estávamos no supermercado, e eu senti uma dor absurda, quase caio no banheiro, vocês nem imaginam minha felicidade, saí correndo (grávida corre?), ok andando rápido igual um pinguim, bati nas costas do marido e disse "é hoje! Termina logo e vamos para casa!", pegamos as compras correndo, fiquei deitadinha esperando vir mais... e esperei... esperei... e nada... eu chorava horrores nessa espera...
No dia 27 de maio, a minha GO me escreveu e disse que minha cesárea estava agendada para o dia 28 às 9h, mas que ainda tinha um longo dia e uma longa madrugada para que o TP iniciasse, e que era pra eu ficar tranquila.
Eu fiz o checklist final, arrumei a mala da maternidade, montei um esquema com o James e a mamãe de como ía ser no hospital, conversei com minha Doula, e passei um dia melancólico e ansioso.
Acordei (não, eu quase não dormi), levantei no dia 28 nervosa, uma pilha de nervos, assim de me tremer "igual vara verde" como diz minha mãe, não pude tomar café, mandei msg pra minha Doula e fomos para o hospital.
Rolou o de prache, conferir os dados, ensinaram como acontece os procedimentos, deram umas "roupas" pra mim e pro James, e ficamos esperando a hora chegar, minha Doula chegou, e logo em seguida veio o maqueiro, eu pedi que ele conseguisse uma roupa pra minha doula, porque ela entraria na Sala de Cirurgia conosco (Sim, nessa maternidade é permitida a entrada da Doula + o acompanhante), mas o maqueiro muito bem informado, e com muita simpatia (#SQN) disse que ela não podia entrar na cirurgia e que eu tinha que ir logo com ele...
CLAROOOO... claro que num dia tão importante nada poderia ser simples e tranquilo... minha resposta foi, "Pois você vai subir sozinho, porque eu não saio daqui sem minha Doula!". ele ficou super-irritado e disse que o problema era meu, porque se a minha cirurgia atrasasse, a minha médica perderia a reserva da sala de cirurgia (isso é coisa que se diga?!).
Pouco tempo depois desceu um OUTRO maqueiro, e a minha Doula foi conversar com a psicóloga do Hospital, e nos orientou que subíssemos para o centro cirúrgico.
Ao entrar na sala do centro cirúrgico, o meu marido teve a entrada impedida. A justificativa foi a de que durante a analgesia não pode estar ninguém presente além da equipe. Depois de muito barraco, eu já estava no nível máximo de tristeza/estresse/nervosismo, sem Doula, sem acompanhante, minha obstetra, ficou ao meu lado me abraçou e disse "Estou aqui contigo", (eu estava com medo, muito medo, e desabei a chorar), o anestesista vendo a situação, e acho que mais preocupado com um possível processo, solicitou a enfermeira que chamasse a minha doula, mas a mesma se recusou a ir (PASMEM!!)...
Quando a cirurgia estava prestes a começar, entraram a minha Doula e o meu marido, e até a abertura total da minha barriga, tudo durou uns 20 min (que pareceram uma eternidade), quando a Dani, foi retirar o Arthur, ela baixou o campo para que eu pudesse vê-lo nascer, e exclamou: "TU ESTÁS SECA!". Gente, um turbilhão de pensamentos passou pela minha cabeça nesses poucos segundos "Como eu coloquei meu filho em risco desse jeito?", "que mãe irresponsável que eu sou", ela fez tanta força pra tirar o Arthur de mim, porque ele estava praticamente grudado no meu útero, e eu só consegui perguntar " ELE TÁ BEM?".
Foi quando saiu aquele bebezão, fofíssimo, chorando, gente ele era muito lindo! (ainda é.. hehehe) só nisso demorou-se mais 11 min, porque o Arthur nasceu 9h31 da manhã.
A idéia era deixar o cordão intacto até que parasse de bombear todo o sangue da placenta, mas ele já não estava bombeando nada, estava branco pálido e seco... a Dani cortou rapidamente, sob essa justificativa, e a pediatra levou meu filho correndo...
A Dani falou pro James sair correndo atrás da pediatra enquanto ela finalizava meus pontos. Essa finalização durou mais 10 - 15min, mas foi a parte mais foda... senti uma ânsia de vômito horrorosa, e não conseguia vomitar, porque não tinha nada no estômago, aquele cheiro de pele queimada, aff...
Enfim, o James voltou com meu filho, ele ficou no meu peito, desamarraram meus braços, tudo terminou e fomos pro quarto.
Mesmo seca o Arthur nasceu com APGAR 9/9, ou seja super saudável!
Mamou assim que chegamos no quarto e dormiu em meus braços, tudo acabou... e eu e o James estávamos maravilhados com aquele bebezinho lindo!
Fotos de arquivo pessoal. Conteúdo não autorizado para reprodução.
Bom, gente, hoje consideramos (James e eu) que a cesárea fez seu papel, que de fato é salvar vidas. Mas com certeza, tivemos a melhor das profissionais nos acompanhando, e pela experiência que ela possui, conseguiu uma margem de tempo para que esperássemos meu TP em segurança, e quando de fato, um risco se apresentou ela soube conduzir a uma cesárea, realmente necessária! Por isso somos eternamente gratos, e apesar dos pesares no dia do meu não parto, ela soube respeitar minhas decisões e meu plano de parto, ao contrário de outros profissionais como o anestesista e a pediatra que estavam de plantão naquele dia.
Poderia ter sido melhor, poderia... se todos os profissionais fossem mais respeitosos com esse momento, poderia ter sido perfeito, mesmo não sendo o parto dos meus sonhos.
Em todo caso, eu não desisti, e o próximo filho quem sabe não será um VBAC (do inglês vaginal birth after cesarean - parto vaginal após cesárea).
beijos em tod@s! Hoje meu lindo bebê faz 11 meses, parabéns pra ele!

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