Relato de (Não) Parto - Parte II
Então, como relatado no meu post da semana passada, eu tinha planos A e B para o nascimento do meu filho. O plano A era o PDP (parto domiciliar planejado) e o plano B era um parto hospitalar, mas ainda não estava muito definido (se SUS, se particular)... Contudo, a apresentação pélvica do meu filho impediu que o parto seguisse o plano A.
Depois de explicado a Danielle Leal, que o plano A foi descartado, ela sentou pra discutir comigo o plano B. Nesse momento algumas pessoas devem estar se perguntando "por que não poderia ser em casa?". Um parto pélvico, é um parto atípico, como tal, tem fatores de risco associados, estes num grau maior, mesmo em uma gravidez sem riscos comprovados. Por isso alguns autores indicam de cara que um bebê pélvico deva nascer por uma cesárea. Contudo estudos recentes já comprovaram que os riscos de complicações de um bebê pélvico nascer de parto normal ou de cesárea, são muito semelhantes.
Segundo Hannah (1994), devem-se considerar muitos fatores para a escolha da via de nascimento de um bebê pélvico: incluindo-se a paridade, bacia óssea materna, atividade uterina, boa prensa abdominal, correta identificação da idade gestacional e peso fetal, grau de flexão e rotação da cabeça fetal, variedade de apresentação, integridade das membranas ovulares, presença de cicatriz uterina e de circulares de cordão, se esses parâmetros não puderem ser adequadamente avaliados, o risco de óbito fetal, prolapso de cordão umbilical, traumas, baixos índices de Apgar ao nascimento e morte neonatal tendem a aumentar significativamente. vide trabalho Hannah WJ. The Canadian Consensus on Breech Management at Term. J SOGC 1994; 16:1839-48.
A Danielle me deixou bem ciente desses riscos aumentados, e ainda assim, seguimos com o plano de parir, e não optar por uma cesárea eletiva. Quando completei 38 semanas, a Dani, que é muito antenada nas novidades da medicina baseada em evidências, tinha ido ao SIAPARTO em 2014, onde aprendeu um teste não invasivo, para saber se a cabeça teria algum problema no momento da passagem pelos ossos da bacia, infelizmente não achei nenhum artigo publicado, mas é um teste difundido por Frank Louwen (que é o CARA dos partos pélvicos). Bom, o que eu entendi é que os ossos tem que estar a uma distância de aproximadamente 11 cm ou mais para que a cabeça passe sem que seja necessária qualquer intervenção. Então... eu reprovei nesse teste... e ela disse que TALVEZ fosse necessário usar o fórceps de piper. Ouvir aquilo, já me deixou preocupada... mas segui firme na idéia de parir. Procurem o trabalho dele REITTER, A. et al. Does pregnancy and/or shifting positions create more room in a woman's pelvis? American Journal of Obstetrics and Gynecology, v. 211, n. 6, Dec 2014. ISSN 0002-9378. Disponível em: < <Go to ISI>://WOS:000346585300025 >.
A partir da 39 semana, comecei a fazer ultrassons semanais, e eu já sentia que queria fazer xixi o tempo todo, cheguei a sentir umas cólicas bemmmm fraquinhas, igual de menstruação, até pensei que já poderiam ser as contrações, mas na consulta da semana a Dani disse que o Arthur ainda estava muito alto.
No meu ultrassom da 40 semana (sem trabalho de parto aparente), ela solicitou um Perfil Biológico Fetal, fiz no Centro de Medicina Fetal do Dr. Fernando Bastos (paguei fora do meu plano porque nenhuma outra clínica de Belém fazia, acreditem liguei pra todas!) e nesse ultrassom, ele percebeu que meu ILA - Índice de Líquido Amniótico estava grau 7, como eu já estava de 40 semanas, é normal diminuir um pouco, mas se chegasse a 5 eu teria que fazer uma cesárea de emergência, então ele sugeriu que eu repetisse este ultrassom depois de 3 dias, além disso, ele percebeu que alguns movimentos como os respiratórios estavam diminuídos. (Então, toda vez que eu achava que tinha feito xixi na calcinha, era o líquido saindo).Voltei com a Dani e ela disse que quando eu repetisse o ultrassom, 3 dias depois, era pra eu procurá-la na Sta. Casa para avaliarmos a necessidade real de uma cesárea ou não.
Enquanto isso, ela me orientou a ir na Maternidade, e já fazer os trâmites, de pré-internação, para não perder tempo com isso caso entrasse em TP (trabalho de parto), fiz isso no mesmo dia... ainda estava bem esperançosa de sentir as dores logo logo...
Passados os 3 dias... eu já tinha 41 semanas... Como era um ultrassom, simples só pra avaliar a quantidade de líquido, fui na Unimed mesmo, que não precisava marcar, só chegar lá e fazer... acontece que demorou uma vidaaaaaaaa... a máquina estava em conserto... tinham pessoas lá esperando o técnico finalizar, e isso levou quase uma manhã inteira... mas não arredei o pé...
Quando finalmente chegou a minha vez, o médico (que eu bloqueei o nome na minha mente) perguntou "Idade gestacional?", quando eu respondi 41 semanas... Ele deu um show... Falou que já tava na hora de tirar ISSO de dentro de mim, como minha médica não agendou minha cesárea ainda, fez eu ligar pra ela, deu um discurso dentro da sala... e no final, meu exame estava todo errado, dizendo que meu bebê estava cefálico, e meu líquido tinha subido pra grau 11. Antes dele desligar o telefone com a Dani, ela pediu para ele passar pra mim, e ela disse "Estás nervosa? Ele te deixou nervosa? Fica calma e abstrai tudo que ele falou, assim que saires daí, vem aqui na Sta. casa pra fazermos uma cardiotocografia". Eu saí da Unimed e fui pra lá, devo dizer, que depois dessa visita, eu ponderei ter meu próximo filho pelo SUS. O Hospital estava novinho, fui bem atendida, só demorou... mas não mais do que na UNIMED (pasmem)... nesse exame ela viu que os batimentos cardíacos estavam normais, mas considerando ser um bebê pélvico, e um possível oligodrâmnio (pouco líquido amniótico), ela disse que só poderia esperar que eu entrasse em TP até dali mais 5 dias, porque passado esse tempo, estaríamos assumindo riscos demais.
Ai gente... chorei tanto... não na frente dela... nem na frente do James, chorei sozinha, chorei pra minha Doula, chorei no banho, chorei antes de dormir, chorei de frustração... batalhei tanto, tanto, esperei tanto... Será que eu morreria na beira da praia?
Vocês já sabem a resposta... mas o final desse relato guardo pra próxima semana!
Beijos e bom feriado pra vocês!
Depois de explicado a Danielle Leal, que o plano A foi descartado, ela sentou pra discutir comigo o plano B. Nesse momento algumas pessoas devem estar se perguntando "por que não poderia ser em casa?". Um parto pélvico, é um parto atípico, como tal, tem fatores de risco associados, estes num grau maior, mesmo em uma gravidez sem riscos comprovados. Por isso alguns autores indicam de cara que um bebê pélvico deva nascer por uma cesárea. Contudo estudos recentes já comprovaram que os riscos de complicações de um bebê pélvico nascer de parto normal ou de cesárea, são muito semelhantes.
Segundo Hannah (1994), devem-se considerar muitos fatores para a escolha da via de nascimento de um bebê pélvico: incluindo-se a paridade, bacia óssea materna, atividade uterina, boa prensa abdominal, correta identificação da idade gestacional e peso fetal, grau de flexão e rotação da cabeça fetal, variedade de apresentação, integridade das membranas ovulares, presença de cicatriz uterina e de circulares de cordão, se esses parâmetros não puderem ser adequadamente avaliados, o risco de óbito fetal, prolapso de cordão umbilical, traumas, baixos índices de Apgar ao nascimento e morte neonatal tendem a aumentar significativamente. vide trabalho Hannah WJ. The Canadian Consensus on Breech Management at Term. J SOGC 1994; 16:1839-48.
A Danielle me deixou bem ciente desses riscos aumentados, e ainda assim, seguimos com o plano de parir, e não optar por uma cesárea eletiva. Quando completei 38 semanas, a Dani, que é muito antenada nas novidades da medicina baseada em evidências, tinha ido ao SIAPARTO em 2014, onde aprendeu um teste não invasivo, para saber se a cabeça teria algum problema no momento da passagem pelos ossos da bacia, infelizmente não achei nenhum artigo publicado, mas é um teste difundido por Frank Louwen (que é o CARA dos partos pélvicos). Bom, o que eu entendi é que os ossos tem que estar a uma distância de aproximadamente 11 cm ou mais para que a cabeça passe sem que seja necessária qualquer intervenção. Então... eu reprovei nesse teste... e ela disse que TALVEZ fosse necessário usar o fórceps de piper. Ouvir aquilo, já me deixou preocupada... mas segui firme na idéia de parir. Procurem o trabalho dele REITTER, A. et al. Does pregnancy and/or shifting positions create more room in a woman's pelvis? American Journal of Obstetrics and Gynecology, v. 211, n. 6, Dec 2014. ISSN 0002-9378. Disponível em: < <Go to ISI>://WOS:000346585300025 >.
No meu ultrassom da 40 semana (sem trabalho de parto aparente), ela solicitou um Perfil Biológico Fetal, fiz no Centro de Medicina Fetal do Dr. Fernando Bastos (paguei fora do meu plano porque nenhuma outra clínica de Belém fazia, acreditem liguei pra todas!) e nesse ultrassom, ele percebeu que meu ILA - Índice de Líquido Amniótico estava grau 7, como eu já estava de 40 semanas, é normal diminuir um pouco, mas se chegasse a 5 eu teria que fazer uma cesárea de emergência, então ele sugeriu que eu repetisse este ultrassom depois de 3 dias, além disso, ele percebeu que alguns movimentos como os respiratórios estavam diminuídos. (Então, toda vez que eu achava que tinha feito xixi na calcinha, era o líquido saindo).Voltei com a Dani e ela disse que quando eu repetisse o ultrassom, 3 dias depois, era pra eu procurá-la na Sta. Casa para avaliarmos a necessidade real de uma cesárea ou não.
Enquanto isso, ela me orientou a ir na Maternidade, e já fazer os trâmites, de pré-internação, para não perder tempo com isso caso entrasse em TP (trabalho de parto), fiz isso no mesmo dia... ainda estava bem esperançosa de sentir as dores logo logo...
Passados os 3 dias... eu já tinha 41 semanas... Como era um ultrassom, simples só pra avaliar a quantidade de líquido, fui na Unimed mesmo, que não precisava marcar, só chegar lá e fazer... acontece que demorou uma vidaaaaaaaa... a máquina estava em conserto... tinham pessoas lá esperando o técnico finalizar, e isso levou quase uma manhã inteira... mas não arredei o pé...
Quando finalmente chegou a minha vez, o médico (que eu bloqueei o nome na minha mente) perguntou "Idade gestacional?", quando eu respondi 41 semanas... Ele deu um show... Falou que já tava na hora de tirar ISSO de dentro de mim, como minha médica não agendou minha cesárea ainda, fez eu ligar pra ela, deu um discurso dentro da sala... e no final, meu exame estava todo errado, dizendo que meu bebê estava cefálico, e meu líquido tinha subido pra grau 11. Antes dele desligar o telefone com a Dani, ela pediu para ele passar pra mim, e ela disse "Estás nervosa? Ele te deixou nervosa? Fica calma e abstrai tudo que ele falou, assim que saires daí, vem aqui na Sta. casa pra fazermos uma cardiotocografia". Eu saí da Unimed e fui pra lá, devo dizer, que depois dessa visita, eu ponderei ter meu próximo filho pelo SUS. O Hospital estava novinho, fui bem atendida, só demorou... mas não mais do que na UNIMED (pasmem)... nesse exame ela viu que os batimentos cardíacos estavam normais, mas considerando ser um bebê pélvico, e um possível oligodrâmnio (pouco líquido amniótico), ela disse que só poderia esperar que eu entrasse em TP até dali mais 5 dias, porque passado esse tempo, estaríamos assumindo riscos demais.
Ai gente... chorei tanto... não na frente dela... nem na frente do James, chorei sozinha, chorei pra minha Doula, chorei no banho, chorei antes de dormir, chorei de frustração... batalhei tanto, tanto, esperei tanto... Será que eu morreria na beira da praia?
Vocês já sabem a resposta... mas o final desse relato guardo pra próxima semana!
Beijos e bom feriado pra vocês!
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