Ultrassons, fazer ou não? Eis a questão!
Eu tive uma
gravidez muito tranquila.
Descobri que estava
grávida ainda com umas 6 semanas, - e como eu já mencionei aqui no blog algumas
vezes - quando descobri, estava de passagem marcada para fazer o doutorado
sanduiche na Alemanha.
Ainda assim,
consegui passar mais um mês no Brasil antes de ir para o Velho Mundo e durante
esse período, eu tive por exemplo apenas 1 semana contínua de enjoos... sim,
somente 1 semana que senti enjoos todos os dias, depois disso eles ficaram
esporádicos (uma vez ou outra, sei lá, a cada duas semanas ou mais) até
completar os 4 meses de grávida. Só que quando descobrimos a gravidez,
principalmente se for a primeira, TODO MUNDO esquece de ti, e toda a atenção de
volta para o bebê (ou esse grupo de células se multiplicando dentro de ti,
quando a gravidez está bem no início), de forma que é muito comum as pessoas
perguntarem "Como está o bebê?", com uma maior frequência do que
"Como VOCÊ está?", e aí por exemplo você que ainda não sente nada,
nem um enjoozinho, se vê obrigada a responder que está tudo bem...
É engraçado, porque
inclusive, mulheres que já são mães tendem a fazer isso...
Eu, sempre phyna e
delicada como uma patada de elefante, algumas vezes respondia "Eu não sei
como o bebê está, porque ele ainda não fala comigo!"
E dentro desse
contexto, muitas vezes o ultrassom, era o momento, além das consultas mensais,
em que eu conseguia saber se REALMENTE estava tudo bem, porque fora esses 2
momentos, eu não sentia nada até pelo menos metade da gravidez, o bebê não mexia, não falava, a barriga não aparecia,
(eu) não sentia enjoos, às vezes eu até esquecia que estava grávida, ou tinha
medo de ser uma gravidez psicológica (isso antes do primeiro ultrassom).
Algumas pessoas
devem estar se perguntando: "então POR QUE eu não faria um
ultrassom?"
Bom existem algumas
discussões a respeito dos malefícios que ultrassons sem real necessidade podem
causar... pois existem trabalhos, com outros grupos de mamíferos que indicaram
que o uso indiscriminado de ultrassons, pode influenciar no desenvolvimento de
células e tecidos, e até causar uma interrupção da gravidez. Contudo, de fato, o maior problema é que não existem estudos
que mostrem qual os efeitos dessas ondas sonoras no feto ou embriões humanos a
longo prazo.
Eu fiz uma pesquisa superficial em algumas bases de dados e encontrei somente um artigo: Li XW, Liang MY, Wang JL, Wang DP. Spontaneous Uterine Rupture during Late Pregnancy after High-intensity Focused Ultrasound. Chin Med J 2015;128:1419
Eu fiz uma pesquisa superficial em algumas bases de dados e encontrei somente um artigo: Li XW, Liang MY, Wang JL, Wang DP. Spontaneous Uterine Rupture during Late Pregnancy after High-intensity Focused Ultrasound. Chin Med J 2015;128:1419
Contudo, para
àquelas pessoas que acham que uma gravidez deve ter o mínimo de intervenções
possíveis, o ultrassom também é considerado uma intervenção, principalmente o
ultrassom transvaginal realizado quando se completa 7 ou 8 semanas de gravidez.
Além disso, acredita-se que em pais, que tem alguma anormalidade detectada no
bebê, o ultrassom, pode ser o grande causador de estresse e ansiedade. E
algumas discussões mais radicais acreditam que também pode levar ao aborto ou
ao trabalho de parto adiantado.
Os defensores do
ultrassom, acreditam que, o mesmo, pode na verdade reduzir a ansiedade dos
pais, e pode funcionar como um motivador para que as mães sigam hábitos
saudáveis como parar de fumar, beber e se alimentar de forma equilibrada. Além
de preparar ambos os pais, para o caso de qualquer anormalidade com o bebê.
Em minha pesquisa
encontrei os seguintes artigos: Nabhan AF, Faris MA. High feedback versus low feedback of prenatal
ultrasound for reducing maternal anxiety and improving maternal health
behaviour in pregnancy. Cochrane Database of Systematic Reviews 2010, Issue 4.
Art. No.: CD007208 e Bricker L, Neilson JP.
Routine ultrasound in late pregnancy (after 24 weeks
gestation). Cochrane Database Syst Rev. 2000;(2):CD001451
Em ambos os
trabalhos, na verdade não foram detectados nenhum ganho ou perda na utilização
do ultrassom.
Então, minha dica é.…
faça o que faz você se sentir mais confortável! Se você se sente mais
confortável fazendo um ultrassom a cada mês, ou fazendo um ultrassom por
trimestre ou não fazendo ultrassons, o importante é você estar bem, se sentir
bem, e óbvio estar com o acompanhamento médico (ou de parteira) em dia.
Eu fiz um ultrassom
em cada mês da minha gravidez, afinal, além de que querer saber realmente se
estava tudo bem, eu também queria ter as imagens para mandar para a minha
família aqui no Brasil. Além disso, o ultrassom na minha última semana de
gravidez foi o responsável por detectarmos a minha perda de líquido amniótico,
que chegou em um grau insustentável (eu repeti os exames) e que me levaram a
uma cesárea de indicação real (tópico para uma próxima postagem), e não me
arrependo de nada, até porque na Alemanha o ultrassom era realizado dentro do
consultório médico, diferente do Brasil, então eu só tinha um dia no mês para
"me sentir plenamente grávida", antes do meu filho começar a chutar.
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