Do início... da gravidez
O meu filho já nasceu, e parece que a cada dia, a cada aprendizado, eu sentia mais vontade de voltar a escrever no meu blog e compartilhar com outras pessoas, toda a transformação, todas as lições, todas as pesquisas que tive que fazer com o nascimento dele...
Mas eu acho que mais importante é contar pra vocês como era a minha visão de maternidade antes e como que isso foi mudando ao longo do tempo...
Bom, infelizmente, acredito que (se) meus pais lerem isso ficarão um pouco tristes, mas é a verdade, e a verdade dói, então...
O meu parâmetro de casamento sempre foi dos piores, porque eles viviam aos trancos e barrancos, e o problema, na minha visão, sempre foi meu pai, parecia que ele sempre viveu atrelado a nós (minha mãe e eu) de maneira forçada, e, por esta razão, guardava muita mágoa dentro dele e descontava na gente (mais na minha mãe, do que em mim), uma mágoa de uma vida que ele poderia ter vivido mas não pôde, porque minha mãe engravidou e aí "estragamos" esse ideal de vida pra ele.
Não tenho uma memória de infância, em que estamos os três juntos felizes, tenho memórias de mim só com meu pai, e muitas memórias de mim sozinha com minha mãe. Dessa forma, fui crescendo com duas certezas: a primeira é a de que, definitivamente, em hipótese nenhuma, eu me casaria e a segunda, era que, eu até poderia ter um filho, mas este não seria um objetivo na minha vida.
Essas certezas pioraram com a adolescência, porque minha relação com meu pai piorou (nem sei se dava pra chamar de relação) e eu passei a abominar o casamento, pela idéia de que isso era ter sempre um homem tentando te dominar, te apagar, te diminuir... e a maternidade, era pura abdicação do viver...
Isso se refletiu um pouco nos meus relacionamentos, eram sempre curtos, quando começava a ficar mais sério, eu terminava... claro que teve um ou outro que quaaaase engrenava, mas me decepcionava e aí a certeza de não casar só aumentava na minha cabeça.
Pra encurtar a história, na vida adulta, no final da graduação eu estava em um relacionamento super sério, depois de uma vida de farras, festas, bebedeiras, eu achava que tinha encontrado "o cara", com ele a gente chegou a cogitar casamento, filhos, etc, mas essas conversas sempre davam em brigas, porque tínhamos pontos de vista bem distintos, além de criações bem diferentes... no final das contas, descobri que ele me traía, e aí... tudo por água abaixo...
Após essa decepção eu conheci meu atual companheiro, e, aí a gente resolveu ficar na boa... sabe essa história de nada sério, se encontrava quando dava, ninguém sabia de nada no início, era sem pressão, sem planos, mas os meses foram passando e o namoro engrenou, ele sempre muito sincero, um dia chegou e falou o seguinte (nunca esqueci essa conversa): "um namoro, na minha opinião, se inicia com uma finalidade de no futuro virar alguma coisa, mas eu não pretendo casar, porque eu já tive um casamento, e eu não pretendo ter filhos, porque eu já tenho um, então, o que você espera desse relacionamento?". Eu não esperava nada, eu só sabia que gostava dele, e que me sentia bem com ele, e, mais, me sentia bem no nosso relacionamento desse jeito, daí eu respondi "Acho ótimo, porque eu não quero nenhuma das duas coisas!"...
Acontece que se passou um ano, dois anos... quando vi já estávamos morando juntos... o que já é um casamento, enfrentamos problemas, comemoramos sucessos, brigamos, quase terminamos, mas fomos só nos fortalecendo como casal... E eu vi o que é um casamento, eu vi o que é o amor, a superação de um relacionamento
Aí depois de quase 5 anos juntos, ele virou pra mim e falou: "tem certeza que você não quer ter filhos?", porque eu sei que um dia essa vontade vai chegar e eu sou mais velho que você e não vou querer ser "avô" do meu filho"... até então eu realmente não tinha cogitado a idéia, e isso ficou na minha cabeça, além disso eu entrei naqueles marcos do nosso desenvolvimento, em que muitas amigas e amigos ficaram "grávidos", e a maternidade ou a idéia dela, foi entrando aos poucos no meu cotidiano...
Nesse mesmo ano, minha prima ficou grávida, e eu acompanhei como pude a gravidez dela, estudei, li, me informei sobre várias coisas, afinal era o meu primeiro sobrinho e foi quando eu resolvi, eu também quero isso pra mim!
Mas a vida atropela a gente, deixamos que viesse ao acaso e nunca veio, dois anos se passaram e nada... daí, alguns exames depois, apareceu uma disfunção hormonal, precisaria de tratamento para engravidar, é estranho saber que não se pode engravidar, mesmo que a escolha seja não ter um filho, é meio chocante saber que não existe outra opção, no meu caso eu só era "infértil", não estéril, algo reversível, mas acho que por medo, nunca procurei saber o que precisava fazer pra reverter a situação...
Daí, quase 1 ano depois... no momento mais apertado da minha vida, com o doutorado me enlouquecendo pelo meu atraso, com uma viagem de doutorado sanduiche batendo na porta, lembro o dia... 13 de setembro de 2014, um sábado, aniversário do meu primo, minha menstruação estava no segundo dia de atraso, mas depois de tantas vezes que atrasou e tantos exames negativos, a gente tenta nem se estressar... mas algo me dizia pra fazer um teste, eu tinha um em casa de uma outra vez que atrasou uma semana, mas quando comprei o teste a bendita desceu... daí ficou lá em casa...
Enfim, depois do aniversário, em casa a noite, resolvi fazer o teste... tava lá sentadinha na privada esperando dar o tempo, e...
Mas eu acho que mais importante é contar pra vocês como era a minha visão de maternidade antes e como que isso foi mudando ao longo do tempo...
Bom, infelizmente, acredito que (se) meus pais lerem isso ficarão um pouco tristes, mas é a verdade, e a verdade dói, então...
O meu parâmetro de casamento sempre foi dos piores, porque eles viviam aos trancos e barrancos, e o problema, na minha visão, sempre foi meu pai, parecia que ele sempre viveu atrelado a nós (minha mãe e eu) de maneira forçada, e, por esta razão, guardava muita mágoa dentro dele e descontava na gente (mais na minha mãe, do que em mim), uma mágoa de uma vida que ele poderia ter vivido mas não pôde, porque minha mãe engravidou e aí "estragamos" esse ideal de vida pra ele.
Não tenho uma memória de infância, em que estamos os três juntos felizes, tenho memórias de mim só com meu pai, e muitas memórias de mim sozinha com minha mãe. Dessa forma, fui crescendo com duas certezas: a primeira é a de que, definitivamente, em hipótese nenhuma, eu me casaria e a segunda, era que, eu até poderia ter um filho, mas este não seria um objetivo na minha vida.
Essas certezas pioraram com a adolescência, porque minha relação com meu pai piorou (nem sei se dava pra chamar de relação) e eu passei a abominar o casamento, pela idéia de que isso era ter sempre um homem tentando te dominar, te apagar, te diminuir... e a maternidade, era pura abdicação do viver...
Isso se refletiu um pouco nos meus relacionamentos, eram sempre curtos, quando começava a ficar mais sério, eu terminava... claro que teve um ou outro que quaaaase engrenava, mas me decepcionava e aí a certeza de não casar só aumentava na minha cabeça.
Pra encurtar a história, na vida adulta, no final da graduação eu estava em um relacionamento super sério, depois de uma vida de farras, festas, bebedeiras, eu achava que tinha encontrado "o cara", com ele a gente chegou a cogitar casamento, filhos, etc, mas essas conversas sempre davam em brigas, porque tínhamos pontos de vista bem distintos, além de criações bem diferentes... no final das contas, descobri que ele me traía, e aí... tudo por água abaixo...
Após essa decepção eu conheci meu atual companheiro, e, aí a gente resolveu ficar na boa... sabe essa história de nada sério, se encontrava quando dava, ninguém sabia de nada no início, era sem pressão, sem planos, mas os meses foram passando e o namoro engrenou, ele sempre muito sincero, um dia chegou e falou o seguinte (nunca esqueci essa conversa): "um namoro, na minha opinião, se inicia com uma finalidade de no futuro virar alguma coisa, mas eu não pretendo casar, porque eu já tive um casamento, e eu não pretendo ter filhos, porque eu já tenho um, então, o que você espera desse relacionamento?". Eu não esperava nada, eu só sabia que gostava dele, e que me sentia bem com ele, e, mais, me sentia bem no nosso relacionamento desse jeito, daí eu respondi "Acho ótimo, porque eu não quero nenhuma das duas coisas!"...
Acontece que se passou um ano, dois anos... quando vi já estávamos morando juntos... o que já é um casamento, enfrentamos problemas, comemoramos sucessos, brigamos, quase terminamos, mas fomos só nos fortalecendo como casal... E eu vi o que é um casamento, eu vi o que é o amor, a superação de um relacionamento
Aí depois de quase 5 anos juntos, ele virou pra mim e falou: "tem certeza que você não quer ter filhos?", porque eu sei que um dia essa vontade vai chegar e eu sou mais velho que você e não vou querer ser "avô" do meu filho"... até então eu realmente não tinha cogitado a idéia, e isso ficou na minha cabeça, além disso eu entrei naqueles marcos do nosso desenvolvimento, em que muitas amigas e amigos ficaram "grávidos", e a maternidade ou a idéia dela, foi entrando aos poucos no meu cotidiano...
Nesse mesmo ano, minha prima ficou grávida, e eu acompanhei como pude a gravidez dela, estudei, li, me informei sobre várias coisas, afinal era o meu primeiro sobrinho e foi quando eu resolvi, eu também quero isso pra mim!
Mas a vida atropela a gente, deixamos que viesse ao acaso e nunca veio, dois anos se passaram e nada... daí, alguns exames depois, apareceu uma disfunção hormonal, precisaria de tratamento para engravidar, é estranho saber que não se pode engravidar, mesmo que a escolha seja não ter um filho, é meio chocante saber que não existe outra opção, no meu caso eu só era "infértil", não estéril, algo reversível, mas acho que por medo, nunca procurei saber o que precisava fazer pra reverter a situação...
Daí, quase 1 ano depois... no momento mais apertado da minha vida, com o doutorado me enlouquecendo pelo meu atraso, com uma viagem de doutorado sanduiche batendo na porta, lembro o dia... 13 de setembro de 2014, um sábado, aniversário do meu primo, minha menstruação estava no segundo dia de atraso, mas depois de tantas vezes que atrasou e tantos exames negativos, a gente tenta nem se estressar... mas algo me dizia pra fazer um teste, eu tinha um em casa de uma outra vez que atrasou uma semana, mas quando comprei o teste a bendita desceu... daí ficou lá em casa...
Enfim, depois do aniversário, em casa a noite, resolvi fazer o teste... tava lá sentadinha na privada esperando dar o tempo, e...
DUAS LINHAS... eu pensei, que esse teste tava com defeito né? Pensei que depois de tanto tempo guardado lá em casa que sei lá... tinha passado a validade... ao mesmo tempo um turbilhão de coisas passou pela minha cabeça, mas o pensamento mais forte de todos era "FODEU!!!"... passa um filme na tua cabeça, imaginando "como?", "como vou criar uma criança?", "o que vai ser daqui pra frente?", "eu já tinha me conformado, tava tudo indo nos eixos e isso agora?"...
Daí eu saí do banheiro em estado catatônico... e contei pro marido né? Ele entrou em choque também... hoje, lembrando, é engraçado, mas o momento foi tenso... optamos por comprar um novo teste, igual, mesma marca, mesmo tipo, mas achei melhor fazer no dia seguinte pela manhã... nós não trocamos uma palavra sobre o assunto... acho que ambos queriam ter uma certeza.
No dia seguinte, madruguei... obviamente deu o mesmo resultado... não conformada, resolvi fazer o de laboratório...
Paguei pra fazer o exame na segunda, o resultado saiu no mesmo dia... eu já estava no laboratório, super desconcentrada, já pensando na reação da minha orientadora quando soubesse, ela não é muito compreensiva com mulheres que engravidam assim, na verdade com mulheres que engravidam em geral...
Bom, acontece que nesse mesmo dia... PASMEM... chegou minha carta de concessão da bolsa sanduiche... e aí voltou o pensamento "FODEU"... nesse mesmo dia, marquei logo uma consulta com uma GO (ginecologista/obstetra), consegui para o mesmo dia... eu tava tão tensa, que uma amiga minha percebeu, me deu carona até o consultório e fez a temida pergunta, minha resposta foi um choro, ao mesmo tempo de medo (pânico) e ao mesmo tempo de alegria, mas com certeza, naquele momento, o medo era maior... ela me deu um grande apoio, e me disse coisas maravilhosas, que acalmaram meu coração e de alguma forma me deram forças pra encarar essa novidade com muita felicidade...
Depois da primeira consulta, era oficial... eu estava PRENHA/GRÁVIDA/BUCHUDA...
Mas a ficha foi caindo aos pouquinhos, o assunto ainda foi tabu entre eu e o marido por uns dias, falávamos muito pouco sobre... e a única certeza que tínhamos de comum acordo era... eu ía viajar pro velho mundo grávida e sozinha, porque eu não podia desistir dessa oportunidade, e depois o marido ía atrás quando entrasse de férias...
Agora meus próximos posts, serão sobre essa jornada do se descobrir como mãe... e espero ajudar principalmente mães de Belém, com todas a informações que levantei até agora...
Fim... ou melhor... Início... :)

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